Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças!
Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
Histórias curtas XXX - Problemas do coração (parte I)
O Volkswagen Golf preto estacionou junto da praia com dois homens no seu interior:
- Com o sol a bater-lhe assim, quando voltarmos isto cá dentro vai parecer uma estufa. Felizmente tenho ar condicionado! – disse o condutor.
- Tanta modernice que os carros têm agora... – comentou o outro – uma das últimas é uma coisa muito interessante, o GPS.
- Sem dúvida! – retorquiu o dono da viatura enquanto abria a porta e saía.
Uma brisa ligeira desalinhou-lhe o cabelo e ele passou a mão para o compor, carregou no botão do comando à distância e falou:
- Vamos ali para a esplanada do costume, Valério. Tem a antepara que quebra o vento e os guarda-sóis são grandes e dão uma boa sombra.
- Já estou a ir, vizinho – anuiu o gorducho companheiro.
Pouco depois estavam sentados numa esplanada construída em madeira e debruçada sobre a areia fina e brilhante da praia.
Não havia muitos lugares vagos mas conseguiram uma boa sombra.
Ao longe, o mar muito sereno estava cheio de pontos negros tremulando junto à costa e as águas reflectiam a luz do sol das cinco da tarde.
Os dois amigos e vizinhos, ambos reformados, depois de terem dormido uma boa sesta tinham resolvido ir para junto do mar onde a temperatura era atenuada pela brisa da costa.
Perante a presença do empregado pediram uma cerveja cada um.
- Bem fresquinhas! – insistiu o baixo, anafado, falador e calvo ex-comerciante de louças e cristais.
E, varrendo com os olhos as pessoas que estavam mais próximas, comentou:
- Ó engenheiro! Você repare bem na qualidade do material que por aqui anda. E agora com estes bikinis do tipo tanga ou fio dental...ai minha mãezinha!....
- Você não perdoa nada, vizinho! Mas é um homem livre, com uma boa casa e uma conta bancária recheada. Ainda o hei-de ver casado com uma destas jovens que lhe dará cabo de tudo – opinou o Jerónimo, com um sorriso aberto.
- Morra Marta, morra farta! Não é? A minha falecida Clara que me perdoe mas eu ainda estou vivo mas solitário naquela vivenda que é grande demais para mim. E apesar de ir fazer sessenta e cinco anos ainda não estou arrumado, não senhor, portanto preciso de ter companhia...ou companhias – terminou com uma risada.
Valério Santana tinha enviuvado há cerca de um ano: era pai de duas filhas casadas, Roberta e Marília, e tinha três netos. E fora toda a vida um incorrigível mulherengo. Pobre Clara!
A sua empresa comercial de artigos de ménage era agora gerida pela filha mais velha, mas o Santana ainda por lá passava quasi todos os dias.
- O amigo anda com aquela senhora muito morena que me apresentou há dias, quando a levou a sua casa e eu estava no jardim da frente, não é verdade? É para dar casório? – interrogou o Jerónimo Bastos.
O engenheiro civil Jerónimo Bastos, reformado recentemente com sessenta e dois anos, ainda ía fazendo uns projectos, mas coisas simples porque entendia que o tempo agora era de boa vida. De estatura acima da média, magro, ainda com muito cabelo embora bastante branco, era casado com uma professora de Matemática, Maria de Lurdes, mais nova quatro anos do que ele.
Não é, portanto, de estranhar que os seus três filhos, todos rapazes, se tenham licenciado em Engenharia os dois mais velhos, Fernando e Manuel José, e fosse estudante finalista de Matemáticas o delfim, Camilo. Só tinha um neto.
- Casório? Com essa? Não me palpita! Pretendentes não me faltam apesar de baixo, feio, gordo e careca; mas tenho outros atractivos – disse, rindo-se, o Santana.
E prosseguiu:
- Já lhe disse várias vezes que não quero viver só. A empregada vai-me tratando das coisas da casa, mas tenho medo de me sentir mal e não ter ninguém que me possa ajudar, especialmente de noite. Mas as mulheres mais velhas são umas caquécticas sempre a queixar-se das doenças e ainda acabo por ser eu quem tem de olhar por elas...olha que grande porra! As mais novas são bastante fogosas e eu ainda não estou arrumado mas já não tenho o vigor dos trinta ou quarenta anos,
- Nem dos cinquenta! – acrescentou o Jerónimo.
- Exactamente! E não estou muito disponível para ser cornudo.
O amigo riu-se e comentou:
- Mas ainda não encontrou a mulher que lhe convém? Com os seus conhecimentos não deve ser assim tão difícil...
- É difícil é! Eu não quero enfiar um barrete de todo o tamanho...tenho de ser muito criterioso.
- Isso! Ponha-se com muitas esquisitices que qualquer dia vai é para um lar da 3ª idade! – e o Bastos riu-se, de novo.
E continuou:
- Porque não arranja sete amigas e cada noite dorme com uma; ou na sua casa ou na delas.
- Ó engenheiro! Mas você pensa que eu sou de ferro? Todos os dias, hein? Isso é que era bom!
- Então não se case! Convide uma para viver consigo, tipo “à experiência”. Se ao fim de seis meses ou um ano ou dois ou lá o tempo que for, a aprovar, casa. Se não aprovar, despacha-a.
- Olhe que já pensei nisso, acredita? E sou capaz de seguir essa táctica – disse o gordo, acenando afirmativamente com a cabeça.
De repente cochichou para o outro:
- Está ali uma das minhas pretendentes. E com uma amiga bem interessante. Vou convidá-las para se sentarem aqui pois estão ao sol.
- Olhe que eu sou casado, não se esqueça desse pormenor importante.
- Ora! Não vai comer nenhuma delas aqui, pois não? – retorquiu o careca.
Levantou-se e o vizinho seguiu-o com os olhos e com um sorriso.
Passados poucos minutos estavam os três junto da mesa e o Valério fez as apresentações:
- Este é o meu amigo e vizinho engenheiro Jerónimo Bastos. Mas cuidado que ele é casado!
O mais novo sorriu e levantou-se.
- Esta é a minha amiga Laura Gonçalves e esta a sua colega Guiomar Teles – introduziu o viúvo.
Cumprimentaram-se de mão e sentaram-se todos.
- Pois não esperava encontrá-la por estes lados – quebrou o silêncio, o extrovertido Valério.
- De facto, nem sempre venho para aqui. Vou saltitando de praia em praia ou esplanada em esplanada. Gosto de variar... – respondeu a amiga.
- Também eu! Também eu! – ironizou o careca.
Laura Gonçalves era divorciada há vários anos: baixa e um pouco gorda mas com uma cara bonita e cabelo artificialmente aloirado. Tinha cinquenta e três anos mas podiam-se lhe dar menos dois ou três. Era mãe de dois filhos rapazes, já independentes.
Entretanto, enquanto o Santana ía tomando conta da conversa e falava umas frivolidades, o amigo engenheiro olhava com a discrição possível para a Guiomar.
Era uma belíssima mulher que, embora tivesse quarenta e oito anos parecia ser muito mais nova: aparentava quarenta, ou poucos mais. Há três que estava viúva de um professor de matemática bastante mais velho e não tinha filhos. Alta, magra, elegante e muito bonita, com um rosto sensual de lábios finos mas apetitosos, usava o cabelo preto curto e com um corte moderno.
De vez em quando os olhares de ambos cruzavam-se mas rápida e pudicamente os desviavam.
Contudo, para a sempre atenta Laura, não passou despercebida qualquer coisinha que fluía entre os dois.
- Pois eu quero convidar as duas para irem amanhã jantar comigo e depois vamos para minha casa conversar. À noite o quintal é bastante fresco e agradável. E aqui o meu vizinho até pode aparecer e juntar-se à cavaqueira – avançou o gordo.
- Pela minha parte está perfeito. – respondeu a amiga mais velha – E tu que dizes?
A visada pensou um pouco e anuiu:
- Penso que não tenho nada de especial programado, portanto estou disponível.
- Então está combinado! E você, vizinho? Não o convido para jantar mas depois terei muito gosto em que vá beber um digestivo connosco.
- Claro que vai! – interveio rápida a Laura.
- Vou tentar! Mas não garanto que o possa fazer...
- Claro que pode! A Maria de Lurdes sabe que tem um marido fiel – falou o Santana.
A conversa continuou mas, desta vez, o Jerónimo só tinha atenção para a viúva e a mais anafada das amigas para o recém-viúvo palrador.
Pouco depois despediram-se e desta vez o mais novo dos sexagenários e as senhoras beijaram-se na face e encaminharam-se para os respectivos automóveis.
 
Na noite do dia seguinte, seriam umas dez horas, dois carros pararam junto à vivenda do Valério Santana. Deles saíram três pessoas sendo que o cavalheiro baixote se aprestou a encaminhar as duas senhoras para o portão da residência. Abriu-o, cedeu-lhes a passagem e encaminhou-se para a porta da habitação enquanto fazia tilintar o molho de chaves.
Franqueou-a.
- Ora queiram fazer o favor de entrar!
E elas assim fizeram.
Pouco depois estavam sentados numa mesa situada nas traseiras da moradia.
Apesar de ainda haver uma réstia de luz natural no céu, o anfitrião tinha acendido as lâmpadas mais potentes e a vizinha professora de Matemática não resistiu a dar uma olhadela para ver quem eram as convidadas do antigo comerciante.
- Mas aquela é a viúva do Miranda! – disse para si mesma.
E foi rapidamente dizer ao marido:
- Sabes quem está aqui na casa do Valério? É a Guiomar, que enviuvou há três anos do meu colega Miranda. Mas ela é bonita demais para o gorducho...
O marido respondeu com um “Ahh...” pouco audível.
- Mas está lá outra! O raio do homem é levado da breca... – continuou a professora.
- É livre! Deixa-o namorar à vontade! – falou, num tom pouco simpático, o engenheiro.
- Pois deixo! Mas vou falar com a Guiomar. A outra é pequenina e rechonchuda: muito mais própria para o Valério.
O Jerónimo raciocinou depressa:
- Então eu vou contigo apreciar esse harém.
E dirigiram-se ambos para o muro que separava as duas propriedades.
- Olá! Boa noite! – saudou efusivamente a Lurdes.
- Boa noite! – cumprimentou o marido de forma mais discreta.
- Olá vizinha! Então também está a apanhar um fresquinho? – retorquiu o mulherengo.
- Para falar com franqueza, eu meti conversa porque me pareceu que estava aí a Guiomar, não está?
- Está sim senhora! Mas já se conhecem?
- Há muitos anos... – como que fez um varrimento pelo passado, a mulher do Bastos.
- Olá, Lurdes! Já não nos víamos há bastante tempo – foi a vez de falar a viúva do Leonel Miranda.
- É verdade!
- Alto! – quasi gritou o antigo comerciante – Vocês os dois venham juntar-se a nós para a cavaqueira. Eu vou abrir a porta.
Pouco depois estavam os cinco instalados ao redor da mesa. Uns melhor, outros pior, mas a conversa era animada.
Jerónimo Bastos falava pouco pois estava muito atento ao que conversavam a sua Maria de Lurdes e a amiga. Ficou a saber onde morava e qual o número do telemóvel daquela mulher que de forma repentina o deixara tão interessado; que trabalhava nas Finanças já sabia. Fixou mentalmente essas coordenadas mas, porque a memória já não era o que fora, pediu um papel e uma esferográfica ao anafado vizinho para registar esses dados, discretamente, como convinha.
Ficou também a saber que nessa sexta-feira as amigas do Santana estavam de férias mas que só a Laura continuaria por mais duas semanas. A atraente viúva voltaria ao trabalho na segunda-feira seguinte.
Progressivamente, o engenheiro foi-se metendo na conversa da sua mulher e daquela que o deixara deveras entusiasmado, usando da fina ironia que era seu apanágio.
Eram quasi duas da manhã quando foi dada por encerrada a reunião.


publicado por António às 14:55
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31 comentários:
De Paula Raposo a 12 de Setembro de 2007 às 15:15
Fiquei mais que curiosa em saber como se vai desenrolar a segunda parte da tua história! Não te dou palpites porque nem vale a pena...tu saberás melhor do que eu como a fazer continuar por muitos mais episódios!! eh eh eh beijinhos.


De António a 12 de Setembro de 2007 às 18:28
Olá, Paulinha!
Obrigado pelo comentário.
Não serão muitos mais episódios.
Será só mais um.
Desisti de escrever aqui histórias muito longas pois é complicado conjugar o tempo da sua escrita com a ansiedade que os leitores tem em saber como continua.

Beijinhos


De leonoreta a 12 de Setembro de 2007 às 17:04
ola antonio.
tens uma enorme criatividade sem duvida.
para já, como o mundo é pequeno.
beijinhos


De António a 12 de Setembro de 2007 às 18:30
Olá, querida Leonor!
Obrigado pelo comentário.
Hás vezes convém que o mundo seja pequeno...ah ah ah.

Beijinhos


De António a 13 de Setembro de 2007 às 09:07
Hás vezes?
ah ah ah
Eu escrevo cada uma!
Às vezes, pois claro!


De su a 12 de Setembro de 2007 às 19:49
verdade verdadinha...eu não li....
vim só até aqui para te deixar uma montanha de jocas-----maradas ...sim----:)

psttt não desanima..vou ler.te......com tempo


De António a 12 de Setembro de 2007 às 19:53
Olá, Su!
Obrigada pela maradice!

Beijinhos


De sophiamar a 12 de Setembro de 2007 às 23:45
Ahahahahah!!! Meu querido António. Tás cada vez melhor!

Estava eu a pensar, pelo título, que havia nesta histó ria um doente cardíaco mas afinal a doença é outra. Ai, os homens!!!! O viúvo um marotão de mão cheia que precisava de companhia para a noite mais o seu amigo engenheiro que de santinho tem pouco, prepara-se para uma aventura com a viúva do Miranda. E , pelos vistos, que viúva!
A imaginação, com a pausa, desenvolveu-se ainda mais. Descreves minuciosamente todo o ambiente em que decorrre a cena mas agora espero ansiosa a queda do Jerónimo Bastos. Engenheiro civil a cair de amores por uma mulher bonita arrisca-se a ficar betonado para o resto da vida.
Ai essa imaginação tá bestial.
Bora migo, faz um fim escaldante.
Leva beijinhos. Muitosssssssssss


De António a 13 de Setembro de 2007 às 00:35
Minha querida Isabel!
Obrigado por mais uma visita.
Agora vais ter de esperar alguns dias pelo resto da história...
Mas podes dormir tranquila porque isto é ficção...ah ah ah

Beijinhos


De Marta a 13 de Setembro de 2007 às 00:13
fantástico! Que sairá daqui? um ménage? essas coisas esquisitas em grupo, dançar à volta da fogueira com uns cachumbos de ópio? nahh... ja te conheço.. vais meter um final inesperado, chato, sem pica nenhuma e dpois dizes: fica para a próxima! Ja te conheço...


De António a 13 de Setembro de 2007 às 00:37
Minha querida Marta!
E se agora tivesses de esperar 3 meses pelo resto da história?
Mandavas-me bugiar...ah ah ah

Beijinhos


De apps a 13 de Setembro de 2007 às 00:14
continuarei atenta... mas calma!

xxx *ap


De António a 13 de Setembro de 2007 às 00:30
Olá prima!
Obrigado pela visita.
Tu não deves precisar de tomar calmantes para estar calma...ah ah ah

Beijinhos


De KI a 13 de Setembro de 2007 às 23:49
Se trabalha nas Finanças n é boa gente lolol! Gosto sempre de te ler, a forma de contares estórias que todos gostamos, volto cá sempre e leio tudo, vamos ver como corre esta 'aventura' eheh. Eu sou uma palhaça em equílibrio, tu és um engenheirod as letras, mas hoje eu não vou ser tão hermética, vais ver lol.


Beijinhos em catadupa :)


De António a 14 de Setembro de 2007 às 14:12
Olá, Ki!
Obrigado pela visita e pelo equilibrado comentário...eh eh
Vou já ver como está o teu hermetismo...

Beijinhos


De wind a 13 de Setembro de 2007 às 23:51
Este começo está muito interessante:) Aguardo continuação com a mulher a conhecer provavelmente a futura amante do marido:)
beijos


De António a 14 de Setembro de 2007 às 14:26
Querida Isabel!
Obrigado pelo comentário.
Já percebeste que eu gosto de meter uns adultérios nas minhas histórias.
Mas será que nesta vez o engenheiro e a Guiomar vão por os palitos à professora de matemática?
ah ah ah
Tens de esperar pelo próximo (e último) episódio para saber.

Beijinhos


De sophiamar a 14 de Setembro de 2007 às 13:02
Olá, Meu querido amigo, tripeiro!

Passei para reler e detive-me nos comentários. Há por aí a suspeita de um ménage à trois, à quatre...sei lá! Serás capaz de fazer uma coisa dessas? Ahahahahah
Não acabes com o pobre engenheiro a viver numa outra casa. Tem´lá pena da professora de matemática.

O Cusco faz anos hoje. É virgem como eu.

Ainda voltarei a fazer comentário por aqui. Se gosto!

Beijinhossssssss


De António a 14 de Setembro de 2007 às 14:40
Ó Isabel!
O Cusco e tu são virgens?
Não acredito!
ihihihihih

Beijinhos


De sophiamar a 16 de Setembro de 2007 às 11:50
hoje apeteceu-me passar por aqui só para te deixar beijinhos. Coisas da amizade que , apesar de virtual, tem muito, muito de real.

Tem um bom domingo! Divertido!

Um abração....


De António a 16 de Setembro de 2007 às 13:00
O meu obrigadão!


De Caiê a 14 de Setembro de 2007 às 14:05
olha lá que sarilhos que dão esses acasos...


De António a 14 de Setembro de 2007 às 14:50
Olá, C.!
Obrigado pela visita.
Mas darão mesmo sarilhos?
Hummm...e se eu resolver surpreender?
Até gosto de o fazer...

Beijinhos


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