Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças!
Quinta-feira, 8 de Março de 2007
Histórias curtas XII - O cego
Norberto Branco era cego de nascença. Era cego há trinta e cinco anos, filho de pais também invisuais e já falecidos.
Talvez por isso, desde muito novo se habituou a sobreviver num mundo que não foi criado para ele e pessoas como ele.
Frequentou escolas especiais e, com a ajuda da ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal conseguiu um emprego como telefonista numa empresa particular. Não foi fácil mas a sua determinação, capacidade e competência tinham dado uma preciosa ajuda.
Era um pouco baixo e anafado e já tinha uma considerável calva.
Vivia num quarto alugado a um casal de reformados que assim tinham um pouco da sua companhia e da de uma jovem estudante de Biologia que viera de uma vila beirã. Mas tinham também um complemento para a reforma.
Norberto todas as manhã saía cedo da casa que ostentava uma traça arquitectónica dos anos cinquenta como quasi todas as outras que ficavam nessa sossegada rua. Andava a pé cerca de quinhentos metros, sempre com a ajuda da vara de liga de alumínio, que era fundamental, até uma artéria muito mais movimentada onde apanhava um autocarro que parava praticamente à porta do emprego. Almoçava sempre num café modesto que servia refeições e se situava quasi ao lado do prédio onde se localizava a empresa.
Às cinco e meia iniciava o mesmo percurso mas em sentido contrário.
Tinha uma namorada, também invisual, que trabalhava numa cantina mas só costumava encontrar-se com ela aos fins-de-semana.
 
Numa tarde amena de Maio, quando regressava e já na rua onde morava, ouviu uns passos atrás de si. Nada de anormal. A via não era movimentada mas também não era deserta. Quando parou para contornar um obstáculo que não era habitual estar nesse ponto, os passos deixaram de se ouvir. Retomou a marcha e novamente quem estava a caminhar muito perto dele reatou o movimento.
Parou outra vez para atravessar a passadeira para peões que sempre usava e o som que lhe despertara a atenção deixou de se fazer ouvir.
Atravessou e continuou a marcha, apercebendo-se de que, do outro lado da rua, os passos continuaram.
Parou à porta, abriu-a e entrou. Escutou antes de a fechar e sentiu o retomar da marcha do transeunte misterioso.
Contudo, após cinco minutos em casa esqueceu o assunto.
No dia seguinte e novamente ao chegar à rua onde residia, sentiu os mesmos passos. Estacou de repente, propositadamente, e o enigmático homem, pois conseguiu aperceber-se de que se tratava, com grande probabilidade, de um homem, parou. Retomou a caminhada e lá ressurgiram os passos. Começou a ficar intrigado e receoso. Parou junto da passadeira e tudo se passou como no dia anterior.
E foi assim mais duas vezes.
Combinou então com a jovem estudante, a Sara, que no dia seguinte ela estaria a espreitar pela janela à hora dele chegar para ver quem seria a estranha personagem.
E no outro dia:
- Olá, Norberto!
Ele exigira que a moça deixasse de o tratar por senhor.
- Olá, Sara! Boa tarde! Então?
- Pelo que vi, trata-se de um jovem, talvez com uns dezoito anos e com ar de quem não tem muito dinheiro – disse a rapariga.
- Mas tem um aspecto perigoso? De ladrão? Drogado? Tresloucado? – perguntou o invisual.
- Não me pude aperceber desses detalhes, mas não me pareceu fora do normal. Mas notei bem que andava a segui-lo.
- Intrigante! – exclamou o Norberto passando a mão pelo pouco cabelo – Amanhã a Sara está cá a esta hora?
- Amanhã não! Mas depois de amanhã estou.
- Então não se importa de ficar outra vez em observação que eu vou meter conversa com ele? – perguntou o homem.
- Se quiser até vou para junto da passadeira no passeio do outro lado.
E continuou a jovem:
- Assim, não só o poderei ajudar se houver alguma complicação como observarei melhor o rapaz.
- Boa ideia! Faz-me esse favor?
- Claro que sim! Também estou a ficar muito curiosa – confessou a rapariga.
 
Dois dias depois a cena parecia uma reposição do mesmo filme até que, ao parar na passadeira, o Norberto virou-se para o local onde supostamente estaria o jovem e disse:
- Porque é que me andas a seguir? Conheces-me? Fiz-te mal alguma vez? Que pretendes de mim?
O rapaz ficou estático e nada disse. Até que o cego falou de novo:
- Então? Comeram-te a língua?
- Peço desculpa! Mas o senhor é o meu pai! – disparou o jovem, quasi fulminando o Norberto.
- Eu? Deves estar enganado. Mas mesmo que o fosse, isso não justificava essa perseguição tão estranha. Se querias falar comigo, metias conversa, não achas? – interrogou o mais velho.
- Sim! Peço desculpa!
- Mas agora diz-me: que idade tens?
- Dezoito anos – respondeu o rapaz.
- Isso quer dizer que, se fosses meu filho, eu te teria gerado com dezasseis anos. Impossível, porque só iniciei a minha vida sexual com dezoito anos. Mas quem é que te meteu isso na cabeça? – continuou o Norberto a tentar desvendar o enigma.
A Sara continuava ali, junto deles, a ouvir atentamente a conversa.
- A minha mãe disse-me que o meu pai era cego e se chamava Norberto – confidenciou o jovem deixando o homem ainda mais confuso.
- E quem é a tua mãe? – perguntou.
- É a Clara!
- Ahh... – exclamou o invisual – de facto, conheci uma rapariga chamada Clara nessa altura, quando tinha dezasseis ou dezassete anos. Cega também! Tivemos um namorico mas nunca tivemos relações sexuais, por isso não sei que ideia é essa de ela dizer que sou o teu pai – disse o homem já um pouco irritado.
- Eu agora não lhe posso explicar, mas se falar com ela fica a saber – aconselhou o jovem.
- Nunca mais a vi desde essa época. Onde vive ela? – perguntou o Norberto.
- Aqui perto! Quando quer falar com ela? Amanhã? – sugeriu o moço.
- Está bem! Amanhã podes esperar por mim à saída do autocarro?
- É melhor ser eu a entrar porque é nessa carreira que se vai para minha casa – esclareceu o jovem.
- Sendo assim, está atento que eu faço sinal. Espero que me vejas pois eu não te posso ver.
- Sim senhor!
- Ahh...como te chamas?
- Tiago!
- Então até amanhã, Tiago! – despediu-se o Norberto.
O cego e a Sara foram para casa e falaram sobre o assunto:
- Eu achei o moço um tanto estranho! – disse a rapariga – Estava sempre a olhar para o fundo da rua como se alguém conhecido fosse aparecer de repente.
- Tudo isto me parece bastante esquisito, mas amanhã espero tirar as coisas a limpo.
- Quer que vá consigo? – ofereceu os seus préstimos, a estudante.
- Não, muito obrigado! Não me parece que corra nenhum risco!
 
No fim da tarde do dia seguinte os acontecimentos ocorreram como previsto.
Não demorou muito que o Tiago dissesse:
- Saímos aqui!
E apearam-se ambos e mais alguns utentes.
- A minha casa é pertinho – informou o rapaz.
- Melhor assim!
Pouco depois:
- É esta! Vou tocar à campaínha! – e assim fez, o jovem.
Apareceu uma mulher baixa e gorda, que disse:
- Olá, Norberto! Sou a Clara! Lembraste de mim?
- Claro que sim! Mas não falamos há mais de dezoito anos – foi dizendo o homem.
- Entra para conversarmos um pouco – convidou ela.
- Para isso eu vim cá. Mas sobretudo quero clarificar as coisas.
- Tiago! Ficas aqui que eu quero falar a sós com o Sr. Norberto. Está bem, filho? – falou a mulher.
- Sim, mãe!
Uma vez sentados dentro da humilde casa, Clara começou:
- Muito pouco depois de nos termos afastado, conheci um tipo que me prometeu tudo e mais alguma coisa. Acabei por ficar grávida. Quando lhe disse, desapareceu e nunca mais soube nada dele. Tive um filho a quem dei o nome de Tiago, como já percebeste. Passei muito nestes anos. Andei quasi a pedir esmola e isso não aconteceu porque tive o apoio de um grupo de senhoras ligadas a uma obra da igreja. Durou alguns anos até que me arranjaram um empregozito e esta casita.
O Norberto ouvia atentamente e ela continuou:
- Não sei se fiz mal, mas sempre disse ao meu filho que o pai era uma pessoa má. Em contrapartida, dizia-lhe que tinha conhecido um homem muito bom, também cego como eu, que se chamava Norberto. E dizia-lhe que tu é que devias ter sido o pai dele. Talvez por castigo, no ano passado o Tiago começou a ter comportamentos estranhos e foi para o hospital dos malucos. Os médicos acabaram por dizer que ele tinha uma doença mental grave chamada...deixa ver se não me engano...esquizofrenia.
- Humm...começo a perceber...
Mas ela continuou:
- E assim começou a cismar que eras o pai dele. Recentemente soube, através da Amélia – lembras-te dela? – onde tu trabalhavas. Disse-o ao Tiago e agora acho que já compreendes porque ele te persegue e diz que és o pai.
O Norberto estava destroçado. A vida daquela mulher com trinta e tal anos devia ser um verdadeiro inferno. Não sabia bem o que dizer, mas, ao fim de algum tempo, conseguiu articular umas palavras.
- Sim, Clara! Percebo!
Fez uma pausa e continuou:
- Espero que essa ideia fixa que tem o Tiago, desapareça. Vives sozinha com ele, não é? Não tens nenhum homem que te apoie – perguntou, curioso, o cego.
- Não! Tenho de lidar com a minha deficiência e com um filho que adoro mas que, infelizmente, é doente mental, sem quaisquer apoios, para além de um ordenado miserável e desta casinha onde entra água quando chove – lamentou-se ela.
- Clara! Eu não te prometo nada, mas se conseguir melhorar a tua vida, podes ter a certeza de que o farei – falou ele, com o coração apertado.
- Obrigado, Norberto! Tu foste o melhor homem que conheci na minha vida.
E conversaram durante mais algum tempo.
Depois o Norberto voltou a casa, comeu qualquer coisa e contou toda a história aos velhotes e à Sara.
 
No dia seguinte, quando regressou do trabalho e se apeou do autocarro, ouviu uns passos que lhe eram familiares. Parou e disse:
- Anda para o meu lado e vamos caminhar e conversar, Tiago!
- Sim, pai! – anuiu o jovem.
E o Norberto Branco iniciou a sua tentativa de persuadir o rapaz de que não era o pai dele.
A tarefa era complicada.
Passadas algumas semanas o seu pretenso filho deixou de aparecer até que uma tarde foi surpreendido pela Clara.
- Olá, Norberto! – saudou a mulher.
- Olá, Clara! Estou admirado porque já há uns quinze dias que o Tiago não aparece.
- Nem vai aparecer mais! Suicidou-se!


publicado por António às 00:01
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42 comentários:
De Peter15 a 8 de Março de 2007 às 01:27
Uma das características que mais aprecio nos teus contos é um certo "suspense" que lhes consegues imprimir.
Porquê a vida é "madrasta" para os mais desfavorecidos?
Só os filmes americanos é que tinham "happy end", agora nem esses.
Se a história fosse verdadeira (não sei se é) imagino os problemas de consciência do Norberto.

Abraço


De wind a 8 de Março de 2007 às 02:18
Trágica história muito bem contada com todos os pormenores.
Esse rapaz que era esquizofrénico, se tomasse medicamentos, podia controlar a sua doença do foro psiquiátrico. Aí penso que houve uma falha de informação da mãe e dos restantes personagens.
Para mim o fim acabou repentinamente, quebrou um pouco a leitura.
Continuas a assassinar os teus personagens.eheheheh
beijos


De nena a 8 de Março de 2007 às 09:05
ai valha-me deus antónio!..era preciso matar logo o moço no inicio da história?..tudo aqui á espera do desenrolar da coisa e TXUNGA!! matas-me o rapaz..até fiquei incomodada..
quer dizer,ficaste com sono,não te apeteceu alongar o texto e txunga!..mata-se o heroi e prontos!..fica a malta aqui pendurada cum aperto no coração. não é justo.
dou-te uma dica; afinal ele recuperou na autópsia, recuperou a visão,olhou-se no espelho e morreu de susto..


De António a 8 de Março de 2007 às 10:45
Olá, nena!
Eu matei o rapaz mesmo no final da história e não no início.
Mas já liquidei muitos outros em outras histórias que, se calhar, já leste.
Portanto, tem cuidado com quem te metes porque eu sou um perigoso "serial killer".

O beijo da morte
ah ah ah


De nena a 8 de Março de 2007 às 11:40
mataste-o no inicio sim senhor,logo quando eu estava a arremelgar o olho..inda tinha a chávena cheia com as natas a boiar..
beijoca da aranha negra..smak!


De António a 8 de Março de 2007 às 14:53
Eu não matei ninguém!
O tipo suicidou-se.
Cheguei atrasado.
Menos um traço na parede...eh eh

Beijinhos


De Paula Raposo a 8 de Março de 2007 às 11:26
Adorei ler! E no final (excelente) senti um arrepio pela espinha! Não tenho mais palavras. Adorei. Simplesmente. Muitos beijos.


De António a 8 de Março de 2007 às 14:57
Aqui já posso agradecer os comentários porque este blog é meu.
(e posso responder junto do "comment")
ah ah ah
Muito obrigado, querida Paula!
Beijinhos


De Morgaine a 8 de Março de 2007 às 12:54
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

:(


De António a 8 de Março de 2007 às 14:59
Que te deu?


De Morgaine a 8 de Março de 2007 às 19:40
que me deu? ehpah o final é tiste!! podias ter sido mais simpatico.. A mãe dele podia ter recorrido a num banco de esperma e o filho seria mesmo dele por um acaso feliz e o rapaz seria parecido com ele, teria pai,nao se suicidava e seriam todos felizes..
tinhas de ser mau??? AIIIII



De António a 8 de Março de 2007 às 21:41
Eu não gosto de "happy ends".
Gosto de fazer literatura negra e não cor-de-rosa.
Embora prefira o azul...azul e branco...ah ah ah.

Beijinhos


De Morgaine a 8 de Março de 2007 às 21:53
essa do cor de rosa foi para quem? hun? eu nao escrevo rosa, mas sim cinzento! fica perto do teu negrito pá.. toumaaaaaaaaa


De António a 8 de Março de 2007 às 22:15
Ó minha amiga!
Eu falei em literatura negra e cor-de-rosa.
E o azul e branco foi uma alusão clubística e não tem nada a ver com as cores do blog.
Esclarecida?
ihihihihih
Beijinhos


De Morgaine a 8 de Março de 2007 às 23:46
ó migo táaaaaaaa bemmmm.. eu percebi tudo, era só para ver o que dizias cooff.. és previsivel tu, António.. sempre a defender a honra hehe
beijos.. que mi vou.. :)


De António a 9 de Março de 2007 às 09:16
Serei assim tão previsível?
Humm...se calhar estás enganada!

Bom dia!
Aproveita o sol que faz (aqui; aí, não sei).

Beijinhos


De poesiamgdias.blogspot.com a 8 de Março de 2007 às 14:08
Esta história mecheu muito comigo por diversas razões. Uma porque fala de cegos e eu tenho alguns amigos cegos, segundo porque trabalhei muito tempo com jovens deficientes (sou pós graduada em deficiência mental/motora) e terceiro porque a deficiência em geral é assunto que me aflige pela falta de protecção social. Também eu tenho publicados contos onde abordo o tema da deficiência. O meu "Adeus Madrid" publicado no EC tem como personagem principal um cego. Só que o final dos meus contos é sempre um final feliz, já que a vida raramente nos proporciona esses finais. Escusado será dizer que aprecio muito os teus contos, já o sabes!
Quanto ao teu comentário no meu blog, a resposta é que não estava a pensar em nada, nunca estou a pensar em situação alguma em concreto quando escrevo. Mas podia muito bem estar... em dois, que são quantos tenho!
Um abraço


De Moura ao Luar a 8 de Março de 2007 às 15:57
Que história triste, vai ter continuação??


De Maria Papoila a 8 de Março de 2007 às 19:59
António:
Uma história muito bem contada com um final inesperado dentro do esperado... é mais frequente o suicídio nos esquizofrénicos.
Surpreendes-me!
Beijos


De tb a 8 de Março de 2007 às 22:43
Mais uma história com a qualidade a que já nos habituaste, António.
Dia´logos vivos e de uma riqueza de pormenores, conseguindo criar um suspense que atrai a atenção e leva o leitor a querer saber o final.
Muito bom mesmo. Prabéns!
beijinhos


De www.http://bomdiaisabel.blogspot.com a 9 de Março de 2007 às 07:49
Mais uma história muito bonita! Um final possível depois de nos teres dado a conhecer a doença do rapaz.Comovente! E ainda mais por saber que estas vidas existem e o seu número é bem mais elevado do que imaginamos.Tens um talento nato para este tipo de texto, talvez também para muitos outros, mas, neste género, o que nos contas "sabe a pouco". Leio e quero sempre mais. Continua a dar-nos estes pedaços de vida com a criatividade que já conhecemos tão bem.
Beijinhos


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