Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças!
Sábado, 13 de Outubro de 2007
O rapto (parte II)
A viagem do casal, desde uma zona comercial no centro da cidade onde se situava a agência de viagens até à sua vivenda na periferia, demorou cerca de quinze minutos. Nas cidades pequenas os pormenores do quotidiano são menos desgastantes do que nas grandes urbes.
O Jaime Campelo era um self made man. Com quarenta e cinco anos, baixo, feio, coxo e antipático, mas rico porque sempre lutou muito na vida e também muito aldrabou para bem por ela trepar. Saiu-lhe há poucos anos a lotaria o que veio dar mais uma ajuda no seu gosto por se gabar e menorizar os outros.
Está casado há dez anos com a Zulmira Moreira, agora Campelo, mais nova três anos, e também ela baixa, gorda e feia.
Como a empregada interna, a Eulália.
E nem o puto Tiago, com seis anos, escapava: também tinha uma carranca pouco agradável de ver, o pobre rapaz.
Chegado a casa buzinou e, quando a criada apareceu a uma janela, fez-lhe sinal para ir ter à garagem.
Mal tinha estacionado disparou na direcção da atarantada funcionária doméstica:
- Então o meu filho ainda não apareceu?
- Não, senhor Campelo! – e choramingava, mostrando a sua dor.
- Eu vou à escola! – decidiu o chefe.
Mas lembrando-se que acabara de estacionar o automóvel, vociferou:
- Porra! Arrumei o carro. Agora vou a pé!
A mulher disse:
- Olha! É melhor levar o carro porque se o miúdo não estiver lá depois podemos ir perguntar à vizinhança se alguém o viu.
Ele estacou e respondeu:
- Boa ideia! E depois vamos à polícia.
E voltou a entrar no BMW topo de gama prateado no que foi imitado pela esposa.
E a Eulália ficou a vê-los sair e os portões automáticos a fecharem-se, com uma cara de pasmada.
Na escola só estavam duas professoras retardatárias que nada sabiam do Tiago nem do seu eclipse.
- Não se preocupem que ele aparece! – quis consolar uma delas.
- Isso diz a senhora porque não é seu filho! – ripostou o Campelo.
E noutro tom:
- Eu acho tudo muito estranho. Se estivesse bom tempo...mas a chover assim...
- Então sugiro o seguinte! – disse a outra professora que tinha um ar mais simpático – Se amanhã o Tiago ainda não tiver aparecido peço-lhes para nos avisarem a fim de nós interrogarmos as crianças.
- Está bem! Agora vou procurar para outros lados.
E saiu.
- Boa noite e muito obrigado! – disse a Zulmira que tinha modos menos grosseiros.
E seguiu o marido.
Começaram pelas casas mais ao fundo da rua onde habitavam. Bateram à porta de três que sabiam estar já ocupadas e perguntaram se tinham visto o filho, exibindo ao mesmo tempo uma fotografia que o pai do rapazito tinha na carteira.
Depois bateram na do vizinho António Morais que vivia na casa mesmo ao lado da deles. Era um bancário reformado e amante de literatura e filmes policiais, com cinquenta e cinco anos, estatura mediana e cabelo grisalho sempre bem penteado com risca ao lado, usava óculos e era divorciado mas sem filhos. Vivia com a Anabela Leitão, mais nova três anos, cabeleireira, agora também proprietária do salão, morena e muito exuberante na maquilhagem e modo de vestir e com o filho do primeiro casamento desta, o Rui Manuel Peres, um rapaz com vinte e um anos, bonitão, preguiçoso, narcisista, bon vivant e irresponsável.
Atendeu-os o Morais que, posto ao corrente do assunto, se prontificou logo a ajudar na procura do Tiago que disse não ter visto.
O Jaime agradeceu:
- Obrigado Morais! Eu sei que posso contar consigo. De momento pedia-lhe que fosse olhando para a minha casa e para a rua a fim de detectar alguma movimentação estranha.
- Estarei atento, descanse!
Depois foram para a rua da escola.
Quando eram oito e meia da noite:
- Ó homem! É melhor irmos a casa, telefonarmos para os hospitais, comermos qualquer coisa e depois vamos à polícia.
Mas eis que tocou o telemóvel do muito preocupado homem.
- Estou!...És tu, Eurico?...Diz!...Uma carta no chão junto à porta? Já vou para aí!
Desligou e voou até casa.
Estacionou atrás do carro do meio-irmão e correu para a porta que já estava aberta, seguido pela mulher.
- Ora mostra lá a carta!
- Usa luvas por causa das impressões digitais – aconselhou o também empregado.
- E tu usaste?
- Eu não, porque não sabia o que era. Mas não convém deixar nela as impressões de muita gente.
- Ó mulher! Traz-me umas luvas!
Pouco depois o Jaime abriu o envelope que só tinha as palavras “Quer o Tiago?” escritas com letras recortadas de jornais e nele coladas, e leu o texto fabricado do mesmo modo que estava na folha de papel retirada do seu interior: “Prepare uma mala com 250.000 euros em notas de 100, 200 e 500 euros até 5ª feira e aguarde instruções nesse dia”.
Ficou petrificado.
Só passados uns instantes conseguiu ler o papel em voz alta, mas embargada.
- Hoje é segunda, não é? Três dias! – falou o irmão, quebrando um silêncio que só era perturbado pelo choro das mulheres.
- Dois dias e meio! Acho que vou pagar. Mas antes vamos à GNR – decidiu o Jaime.
- Anda comigo! – ordenou ao irmão
E abalaram, deixando as mulheres lavadas em lágrimas.
- E achas que pagar é a melhor solução? – perguntou o Eurico Pereira já com a viatura a circular.
- Acho que sim! Primeiro que tudo quero recuperar o meu filho. Depois a polícia tratará de apanhar o sacana. Ou sacanas – explicou o pai do puto desaparecido.
- Não está mal pensado, não senhor! – comentou o outro.
Chegados ao posto da GNR participaram a ocorrência mas logo perceberam que dali não surgiria grande empenhamento.
- Vocês vão comunicar à Judiciária, não vão?
- Sim! Daqui a quarenta e oito horas para dar tempo a que o miúdo apareça, pois pode ter-se escondido na brincadeira com outros ou estar em casa de amigos. É muito vulgar – explicou o chefe do posto, o Carneiro, um homenzarrão.
- Na brincadeira parecem estar vocês! – disse baixo o Jaime enquanto o irmão lhe dava uma cotovelada.
- Ah! E fiquem a saber que eu vou pagar o resgate para reaver o meu filho e depois quero que, ou vocês ou a PJ ou seja lá quem for, apanhem os meliantes e o dinheiro.
E saiu.


publicado por António às 22:06
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28 comentários:
De Marta a 14 de Outubro de 2007 às 12:57
Óptimo!! Nem tive de esperar demasiado. Mas espero ainda o desfecho para tirar as minhas conclusões. Até lá continuo a ranger os dentes..

besitos


De António a 14 de Outubro de 2007 às 13:01
Olá, Marta!
Ainda faltam cinco partes.
Não é uma história muito longa, daí ter-lhe chamado mini-novela.

Beijinhos


De Maria Papoila a 14 de Outubro de 2007 às 18:03
Querido António:
Uma história diferente que vou continuar a ler... sabes deixar-nos curiosos...
Beijos


De António a 14 de Outubro de 2007 às 18:52
Obrigado pela visita Papoilinha querida.

Beijinhos


De wind a 14 de Outubro de 2007 às 18:13
Estou a gostar desta continuação e do pormenor da polícia.
É sempre o mesmo, só 48 h depois, entretanto uma pessoa pode morrer!
Muito bem escrito, como sempre:)
beijos


De António a 14 de Outubro de 2007 às 18:53
Obrigado pela visita, Isabel querida!

Beijinhos


De apps a 14 de Outubro de 2007 às 19:32
Já voltei!...

Gosto da tua forma de escrever, é segura e intensa!
Hum, vou aguardar o desenrolar da história... dá-me ideia que o envolvimento de algumas personagens...hum, feias, gordas, baixas, hum... beijo apertado...ora!
*ap


De António a 14 de Outubro de 2007 às 22:26
Olá, prima!
Qual é o problema das pessoas serem feias, gordas e baixas?
Os outros não eram feios, porcos e maus?
ah ah ah

Beijinhos


De leonoreta a 14 de Outubro de 2007 às 20:12
ola antonio.
não é que o suspense da história nãome interesse e não ache de igual modo que não mereça comentário mas prendo-me mais nos pormenores sociais de que te serves para narrar a tua história. como por exemplo, o que são professoras retardatárias?
o dinheiro não compra educação. típico e bem observado. de realçar a insulência propria da maior parte dos encarregados de educação que pensam que os professores são baby sitters.
os pormenores fisicos e psicologicos que obedecem a um perfil traçado no papel.
apenas um senão: "feio" é a opinião do autor que nunca se deve inserir numa descrição.
muito bom como sempre.
beijinhos


De António a 14 de Outubro de 2007 às 22:35
Querida Leonor!
Não sabes o que eu quero dizer com professoras retardatárias?
São as atrasadas: neste caso saem mais tarde do que o normal.
Ora estás a ver porque é que eu não quero cursos que ensinam as escrever ou coisas parecidas?
Porque não hei-de dizer que uma personagem é feia?
Também não posso dizer que é bonita, nem alta, nem gorda, nem nariguda, nem elegante, nem sensual?
Eu escrevo à minha maneira!
Se nessa família são todos uns ranhosos (até a criada) eu quero dizê-lo de forma bem clara!
O autor é que cria as regras sobre o que diz o autor. Valeu?
Obrigado pelo teu comentário que gerou uma resposta bem recheada.

Beijinhos


De leonoreta a 15 de Outubro de 2007 às 08:41
o autor é que cria as regras sobre o que diz o narrador.
"eu escrevo á minha maneira"
PUM!
só estava a conversar... na boa... quiet and peace...
beijinhos


De António a 15 de Outubro de 2007 às 09:20
Obviamente que eu escrevo à minha maneira.
Há quem escreva sem pontuação ou sem maiúsculas ou com riscos entre as palavras.
Mas não respondeste à minha pergunta:
porque não hei-de dizer que uma personagem é feia?
Também não posso dizer que é bonita, nem alta, nem gorda, nem nariguda, nem elegante, nem sensual?

Beijinhos


De leonoreta a 15 de Outubro de 2007 às 18:21
Todos os conceitos por mais objectivos que pareçam usufruem sempre da interpretação que cada um faz do dito conceito. Logo o conceito é abrangente. Quando dizes feio estás a inseri-lo numa categoria tua. Se descreveres a fisonomia da personagem que consideras feia o leitor poderá não concordar contigo.
Mas não te enerves. É o teu conto, a tua caneta, o teu papel.
Eu não o faria assim. Gosto de narrativas abertas . não gosto de fecha-las. Mas atenção, rsss
Não é o meu conto, não e a minha caneta, não e o meu papel, rsss
E só estou a conversar na boa, nice anda easy, peace and quiet.
beijinhos


De António a 15 de Outubro de 2007 às 18:46
Isso da subjectividade já se sabe que é verdade.
(quem o feio ama bonito lhe parece)
Mas se eu descrever uma pessoa com os detalhes todos e mais alguns, adjectivando isto ou aquilo, o leitor vai ficar a saber detalhes mas não vê o todo.
Eu quero que ele veja o todo e as partes relevantes para o imaginar como eu.
Quero que considere que determinada personagem é bonita ou feia ou sensual ou alta ou baixa ou coxa...
Eu também não fecho muitas as minhas narrativas apesar do rigor e abundância de pormenores.
Mas os aspectos físicos das personagens (e até os psicológicos) quero que sejam bastante fechados por causa da tal visualização.
Eu quero que vejam o Malaquias como tendo cerca de 50 anos, sendo baixo, gordo, careca, com óculos, coxo, com voz rouca, dentes tortos, nariz batatudo, constituindo um todo desagradável à vista: quero que o vejam como feio (talvez porco e mau...ah ah ah). E para que não restem dúvidas eu digo que ele é feio.
Ou que uma qualquer Sónia é de uma beleza incomparável!
Se estes conceitos não existiam eu acabo de os criar...ah ah ah.
Mas se amanhã me apetecer escrever uma história com as pessoas mal definidas, também o posso fazer.
Ora relê "Uma noite de Natal" - a 1ª História curta.

Beijinhos


De leonoreta a 15 de Outubro de 2007 às 19:26
olha...
queres saber uma coisa?
o malaquias não é fieo.
é horrivel!
o quasimodo de notredame também.
ah! mas o monstro da bela e o monstro é lindo!
nao me perguntes porquê mas é lindo.
beijinhos


De António a 15 de Outubro de 2007 às 19:57
Tu está a ver o coração do monstro e não o corpo do monstro.

Beijinhos


De sophiamar a 15 de Outubro de 2007 às 05:41
Ora meu querido amigo António continuas a desenvolver a história do rapto com muito interesse. A descrição das personagens ( feias, gordas, baixas, um deles coxo) é engraçadíssima. Pormenores que podem não ser importantes na história mas que lhe adicionam interesse. Depois, caracterizas o ambiente em que o carrancudo e malcriado novo rico vive: BMW topo de gama, moradia, empregada a tempo inteiro, portões automáticos.... mais pormenores que me parecem enquadrar bem o motivo do rapto, depois , porque avançaste pouco o meu interesse aumenta. Continua a escrever amigo. Nós, os que te visitamos, gostamos muito de te ler e deixa-te lá de desistências. Então nós não contamos? Chegaste ao fim de bloguista? Ahahahahahah
nem penses! Escreve lá para a gaveta, publica, sabes muito bem o que penso disso mas escreve para os cinco, seis, oito elementos que te escrevem. Eu quero, eu quero, eu quero.... Somos poucos? poucos mas bons!
Vai escrevendo uma história curta, um conto, uma novela para publicares já a seguir.
Não deixes os amigos assim. Força na caneta, cinquentão!
Beijinhosssssssssss


De António a 15 de Outubro de 2007 às 09:57
Olá, querida Isabel!
A descrição física das personagens é muito importante para mim pois é a maneiro de eu fazer com que o leitor "veja", de forma mais ou menos aproximada, o que eu estou a "ver".
E outros pormenores também.
Se eu digo uma carro, é uma coisa; se digo um Mercedes preto ou um Ford Fiesta é muito diferente.
Há quem goste de mantar as coisas ocultas e enigmáticas.
Não faz o meu estilo!

Obrigado pela visita!

Beijinhos


De sophiamar a 15 de Outubro de 2007 às 17:02
Mas eu acho que deves ser minucioso. Essa minúcia enriquece muito a história na medida em que conhecemos muito melhor as personagens e todo o espaço onde se passa a acção . quando eu digo que podem não ser importantes quero apenas referir que podem não determinar o desfecho da acção. Mas eu não sei!
força!
beijinhosssss


De António a 15 de Outubro de 2007 às 18:17
Pois é!
Acho que as pessoas gostam (nem todas, claro) do que eu escrevo porque as faço visualizar bastante, na história, as suas personagens, os cenários, o clima, os objectos...
É uma linguagem que eu pretendo seja figurativa (usando a palavra utilizada na pintura).

Beijinhos


De goretidias a 15 de Outubro de 2007 às 07:38
Espero que isto acabe bem e os meliantes sejam mesmo apanhados!
Um óptimo conto como é teu aoanágio!
Um abraço


De António a 15 de Outubro de 2007 às 10:00
Minha querida Goreti!
Isto pretende ser um policial.
Portanto, se seguir as regras tradicionais, no final o criminoso vai ser apanhado. Entretanto vais suspeitar de outros...ou dele mesmo.
Enfim!
Logo se verá!
ah ah ah

Beijinhos


De Paula Raposo a 15 de Outubro de 2007 às 11:42
Gosto da maneira pormenorizada como descreves as pessoas e as situações. Gostei desta parte II. Espero as outras 5.


De António a 15 de Outubro de 2007 às 12:45
Olá, Paulinha!
Obrigado pela tua presença constante.
Fico muito contente.

Beijinhos


De amigona a 16 de Outubro de 2007 às 19:16
Estou curiosa, amigo...vim à procura da parte III...beijo...


De António a 16 de Outubro de 2007 às 21:16
Olá!
Obrigado pela visita e pelo comentário.
Já tenho tudo escrito, mas como os comentários são tão poucos, estou a fazer intervalos de 5 ou 6 dias entre as várias partes, sendo que a ideia inicial era de aguardar só 4.

Beijinhos


De Peter15 a 16 de Outubro de 2007 às 23:47
O que eu mais admiro nas tuas histórias, mas admiro mesmo, é a minúcia e o pormenor com que as adornas.
Confesso que eu, tendo sempre cultivado e desenvolvido a minha capacidade de síntese, sou muitas vezes tentado a saltar linhas.
Mas cá vamos seguindo a história do menino raptado à saída da escola.


De António a 17 de Outubro de 2007 às 08:31
Olá, Peter!
Obrigado pela visita e pelo comentário.
Podes crer que eu também tenho uma grande capacidade de síntese; não só por natureza mas porque a minha formação no campo das Matemáticas e Engenharia fizeram desenvolver essa característica.
Penso que a minúcia que uso nas minhas descrições e narrativas, resulta exactamente desse facto.
Farei brevemente um post (que só está na minha cabeça, ainda) sobre os livros que li ao longo da vida e que mais me marcaram ou de que mais gostei.
E não faltarão 3 referências ao Victor Hugo que, em "Os miseráveis", usa um capítulo inteiro para descrever a batalha de Waterloo. E eu passei à frente!
ah ah ah
Manda sempre!

Abraço


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