Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças!
Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008
25 anos
Faz hoje 25 anos que faleceu a minha mãe.
Como o tempo passa depressa…
 
Há exactamente um ano escrevi no “Eu sou louco!” do Blogger (http://eusoulouco.blogspot.com) um texto com o título:
Hoje não é Dia dos Namorados
Vou reproduzi-lo como forma de a relembrar, homenagear e perpetuar a sua memória:
 
“14 de Fevereiro.
Hoje faz 24 anos que faleceu a minha mãe.
Foi numa segunda-feira de Carnaval.
Na terça-feira, ao acordar, abri a persiana e olhei pela janela.
Estava tudo coberto de neve.
Nunca mais vi assim a Maia e já cá resido há 27 anos.
Será que a natureza se vestiu de branco especialmente para se despedir da mãe Julieta?
 
Numa sexta-feira, recebi um telefonema do meu cunhado que na altura vivia com a minha irmã e os dois filhos em casa dos meus pais. Já tinha jantado e ele disse-me que iriam levar a minha mãe para o Hospital de Santo António, para a Urgência.
Já não se vinha sentindo muito bem e tinha muitas dores nos membros inferiores, mas a situação agravara-se.
Comentei para a minha mulher:
- É o começo do fim da minha mãe!
Premonição?
Acho que não, mas tinha a certeza que tinha razão.
Fui logo para lá. Que confusão!
Finalmente lá foi para uma enfermaria.
No sábado fui visitá-la. Falei com os médicos. Não sabiam qual a causa do mal, mas inclinavam-se para um vírus que lhe teria atacado o sistema nervoso e provocado uma paralisia flácida ascendente.
No domingo foi o baptizado do meu filho. Não houve qualquer festa, naturalmente. A minha mãe tinha mandado fazer um vestido novo para usar nesse dia. Não o usou nesse dia mas foi o que escolhemos para lhe servir de mortalha.
Foi a última vez que a vi consciente.
Na 2ª feira de manhã, por voltas das onze horas, telefonou a minha irmã que, por razões profissionais se mexia bem naquele Hospital, a dizer:
- A mamã está em coma nos Cuidados Intensivos.
O horário de visita era só de meia hora e não mais de duas pessoas de cada vez.
Mas a situação agravava-se dia a dia. A causa da doença continuava mal definida. A temperatura do corpo era de 35º centígrados.
No sábado, um médico disse-me que a mãe Julieta já estava num estado de morte cerebral, irreversível.
A segunda-feira de Carnaval foi o dia oficial da morte pois foi quando desligaram as máquinas que a mantinham aparentemente com um sopro de vida. Mas era só aparentemente.
A autópsia, que não foi conclusiva, e o funeral realizaram-se na quarta-feira de cinzas.
Foi sepultada no jazigo da família em Vila Praia de Âncora. Tinha 66 anos.
Dez anos depois o meu pai foi-lhe fazer companhia.
 
Foi em 1983.
Faz hoje 24 anos!
Mas parece que foi ontem!
Escrevi tudo isto de rajada e não verti uma lágrima.
Acho que as gastei todas esta manhã.”


publicado por António às 13:31
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28 comentários:
De Brito Ribeiro a 14 de Fevereiro de 2008 às 22:09
Ainda ontem falamos em casa dos vinte e cinco anos que já passaram desde o falecimento da tua mãe. Recordo com saudade a Tia Letinha que me levava para a praia e me aturava estoicamente.
Recordo com saudade as mil e uma peripécias que aconteciam durante as férias que vocês passaram em Âncora, durante muitos e muitos anos, com a figura calma e tranquila da tua mãe que, sempre atenta, tomava conta de nós todos.
Recordo-a com saudade...


De António a 14 de Fevereiro de 2008 às 22:53
Era uma mulher muito querida, Tó-Zé!

Um abraço


De amigona a 15 de Fevereiro de 2008 às 09:36
António deixo um abraço de solidariedade...a minha também foi, há 3 anos, a seguir à 3ª feira de carnaval...beijos...


De António a 15 de Fevereiro de 2008 às 13:06
E a saudade que deixam é imensa...

Beijinhos


De Maria Papoila a 15 de Fevereiro de 2008 às 12:03
Querido António:
Há um ano que li este teu texto e hoje como há um ano deixo-te um grande abraço.
Beijos


De António a 15 de Fevereiro de 2008 às 13:07
Um abraço também para ti, Manela!

Beijos


De Anónimo a 15 de Fevereiro de 2008 às 22:43
o que me fascina , e me doi ao mesmo tempo. é aperceber-me, que ao fim de 25 anos isso se mantem na tua mente , como se de ontem se tratasse .beijo
mluzdh


De António a 15 de Fevereiro de 2008 às 23:39
Minha querida!
Mãe é mãe e nunca esquece mas, obviamente que não vivo obcecado com o facto.
Acontece que, ocasionalmente, penso nela ou no meu pai ou mesmo noutros familiares já desaparecidos e fico triste.

Beijinhos


De leonoreta a 16 de Fevereiro de 2008 às 11:23
o que faz confusao é o escrever direito por linhas tortas.
este ditado a proposito da tua mae ter feito o vestido para uma coisa e mal sabia ela que estava a fazer o vestido para outra. por vezes, é melhor nao sabermos.
beijinhos


De António a 16 de Fevereiro de 2008 às 13:04
São as ironias que a vida tantas vezes nos reserva, minha querida.

Beijinhos


De wind a 17 de Fevereiro de 2008 às 09:18
Sinto muito por ti e por ela e escreveste com sentimento, não são precisas lágrimas.
Lembro-me bem deste texto, ficou-me na memória na altura, por ser diferente do que costumas fazer.
Beijos


De António a 17 de Fevereiro de 2008 às 16:28
Obrigado, Isabel!


De lena a 17 de Fevereiro de 2008 às 17:25
António, lembro-me bem de o ter lido

volto a comentar da mesma maneira:

e dói muito meu querido amigo António

hoje não há neve, mas sim um dia lindo de sol, quem sabe se não é a tua mãe Ju e outras mães ou pais que partiram e nos quiseram brindar com este lindo dia

abraço-te António, um abraço carinhoso e apertadinho, abraço-te hoje pela força que tens tido sempre

beijinhos para ti

lena

tal como o ano passado não nevou, fez sol...

abraço-te com carinho

lena


De António a 17 de Fevereiro de 2008 às 18:48
Obrigado pela tua presença, querida Lena!

Beijinhos


De Paula Raposo a 20 de Fevereiro de 2008 às 12:21
Lembro-me perfeitamente de ter lido este texto há um ano e parece que não passou um ano. Fico sem palavras perante as tuas e só posso curvar-me em silêncio perante a tua dor que é intemporal...muitos beijos daqui.


De António a 20 de Fevereiro de 2008 às 17:58
Obrigado, Paulinha!
És uma querida.
Beijinhos


De leonor costa a 20 de Fevereiro de 2008 às 20:40
António, sempre recordamos com saudade os entes queridos que já nos deixaram. Sem mais palavras, porque sei o que é isso, deixo-te um beijo e a minha amizade.

HOJE E AMANHÃ


De António a 21 de Fevereiro de 2008 às 08:38
Beijinhos, Leonor!


De Maria a 20 de Fevereiro de 2008 às 22:45
Neste momento assisto eu ao quase fim da minha mãe digo quase fim porque temos a perfeita noção de que ainda a espera muito sofrimento.


De António a 21 de Fevereiro de 2008 às 08:43
Pois...
A vida dá-nos de tudo!
Momentos bons, momentos maus, tempos de felicidade e tempos de sofrimento...
Vamos sobrevivendo...até um dia!

Beijos


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