Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças!
Sexta-feira, 14 de Março de 2008
EscritArtes
O EscritArtes (http://www.escritartes.com/forum) é um site de divulgação artística e literária (sobretudo literária), criado em Setembro de 2007 sob o impulso imparável da Maria Goreti Dias.
Fui dos primeiros a lá colocar textos da minha lavra; não inéditos, mas retirados do já razoavelmente abundante espólio que está nos meus blogs.
 
Os seus responsáveis tiveram a amabilidade de me atribuir a Menção de Qualidade Prosa de Fevereiro 2008, facto de que aqui deixo nota pois muito me honrou.
 
Naturalmente que os leitores deste post podem e devem visitar o EscritArtes onde, além do diploma virtual que me foi atribuído, poderão ler uma entrevista constituída por questões que me colocaram seis autores.
Não resisto a transcrever aqui as perguntas formuladas e as respostas que lhes dei.
 
 
Perguntas de...
 
Brito Ribeiro:
 
- Quem ler os teus contos e crónicas encontra uma matriz comum a todos
eles, uma forma muito correcta, diria mesmo de "fino recorte" em
relação à Língua Portuguesa. O que achas de alguns autores, até
consagrados, que desvalorizam o aspecto formal da escrita, dando maior importância aos conteúdos?
 
Pessoalmente não gosto de ler prosas utilizando uma escrita demasiado
incomum, mas compreendo que haja quem goste de as escrever e de as ler.
Eu próprio, por vezes, escrevo uns pequeníssimos textos experimentais e num
estilo pouco ortodoxo.
 
- Cada escritor tem os seus próprios métodos de organização, uns mais
impulsivos, outros mais reflexivos. Queres nos explicar como costumas
estruturar os teus textos?
 
Se forem textos longos (tipo novela) tenho de fazer um profundo e meticuloso
trabalho prévio de preparação.
Se forem histórias curtas do tipo "memórias" escrevo ao correr da pena.
No caso de pequenos contos totalmente imaginados por mim (ficção curta) 
faço uma pequeníssima estruturação prévia (e nem sempre); depois de começar a escrever as personagens é que me comandam. É giro este processo criativo.
Em todos os casos releio o que escrevi várias vezes e sempre faço correcções.
 
Dionísio Dinis:
 
- A sua prosa escreve-se em vários registos, registos esses que vão do humor, à análise e ao texto de reflexão, em qual dos diferentes registos se sente em maior comodidade criativa?
 
Prefiro, sem dúvida, escrever ficção! Gosto de inventar histórias e personagens e de as deixar correr...comigo atrás delas.
 
- Escrever porquê, para quê e para quem?
 
Escrevo para ser lido por toda  gente! Se me apercebo que não o fazem perco motivação e inspiração.
 
- Dos autores do "EscritArtes", poetas e prosadores, poderá citar alguns que sejam para si leitura obrigatória?
 
Leio integralmente os trabalhos de dois: o meu primo e talentoso contista Brito Ribeiro (eu também tenho Brito no meu nome) cujos pais são os meus padrinhos de baptismo e a original poetisa Lucibei.

Dite Apolinário:
 
- Relate aspectos de Vida, que considere terem sido importantes, no seu
caminho das letras/ poesia.
 
Sou um homem dos números, da matemática, da indústria.
Só comecei a escrever em 2005 aproveitando as experiências de muitas
décadas de interessantes vivências, de observação dos humanos e reflexão
sobre as pessoas e os seus comportamentos.
As pessoas que me liam no blog diziam que escrevia bem e isso entusiasmou-me e levou-me a escrever mais e mais.
Preciso de ser muito mimado pelos leitores...
...e não lido bem com a crítica.
Feitios!
 
- Como entende o seu percurso, desde que se encontra no site "EscritArtes"?
 
Os textos que publico no "EscritArtes" não são inéditos.
Estão todos metidos lá no meio dos meus blogs e eu vou-os pescando e dando
a conhecer a um novo auditório.
Curiosamente, quando leio um texto antes de o publicar aqui, introduzo-lhe sempre correcções porque nunca está como eu gosto.
Sou muito miúdinho!
 
- Projectos...Existem por aí?
 
Gostaria de ter um canto num jornal para escrever e também de publicar em papel.
Mas se tal não acontecer não fico muito preocupado e a Literatura portuguesa não perde grande nem valioso espólio.
 
Conceição Bernardino:
 
- Como liga nos dias de hoje a sua prosa ao mundo actual.
 
Os meus textos são essencialmente localizados em ambientes urbanos do último quartel do século passado que são os que melhor conheço. Tenho alguma dificuldade em dar vida a personagens que sejam jovens da actualidade.
Penso que nas minhas prosas estão quasi sempre expostos, de modo mais aberto ou mais subtil, as pessoas e os problemas do mundo actual ou de um passado recente.
A infidelidade é um tema recorrente nos meus trabalhos, talvez porque penso que os homens são essencialmente polígamos ao contrário das mulheres (mas isto está a mudar...e pelo lado feminino)
 
- Acha que se escreve boa prosa em Portugal, quais os seus autores preferidos?
 
Actualmente, pouco ou nada leio!
Mas já o fiz muito em diversas fases da vida.
Victor Hugo é, para mim, um autor empolgante: o único verdadeiramente grande romântico.
Em língua portuguesa coloco em destaque o Eça de Queiroz e o Jorge Amado.
Embora não aprecie poesia, não quero deixar de destacar o Camões e o Guerra Junqueiro que tão mal tem sido tratado pela intelectualidade lusa.
 
Goreti Dias:
 
- Nos teus contos, onde acaba o real e começa o imaginário?
 
Os meus contos (eu diria os trabalhos de ficção pois já tenho umas 3 ou 4 novelas escritas) são essencialmente fruto da imaginação apesar de, como não podia deixar de ser, ir muitas vezes buscar inspiração a pessoas que conheço ou conheci. E há também uma componente autobiográfica que é inevitável, mesmo que não se tenha consciência disso. Mas as histórias são inventadas por mim. Quando tenho uma história verdadeira que acho merecer divulgação, apresento-a como tal.
 
- Que pensas da actualidade editorial portuguesa?
 
Não conheço minimamente bem o meio, mas parece-me que havendo tantos e tantos autores novos, as editoras apostam no seguro: os consagrados e as figuras públicas que muitas vezes nem escrever sabem.
 
Mel de Carvalho:
 
- Sendo o António um prosador com blog próprio como vê  e sente a interacção do que escreve na comunidade blogueira? Que balanço faz do tempo que despende na blogosfera? Tem curiosidade sobre o perfil de quem o lê?
 
Comecei a escrever em blog no mês de Fevereiro de 2005.
Ao fim de dois ou três meses os meus textos já tinham muitas visitas e comentários. Esta situação manteve-se durante esse ano e ainda 2006 e grande parte de 2007.
Depois notei uma quebra acentuada na procura dos meus escritos: não sei exactamente o porquê, mas hoje estou convencido que o meu tempo de ser "escritor de blogs" se aproxima do fim.
Aliás, tudo na vida nasce, cresce, definha e morre.
Actualmente a minha navegação por blogs é muito reduzida mas, nos tempos áureos, eram muito gratificantes as horas que por lá andava.
Penso que a qualidade dos blogs baixou na razão inversa do seu número crescente.
Em relação à terceira parte da pergunta, devo dizer que sim: tenho curiosidade sobre o perfil de quem me lê.
 
- O EscritArtes é muito mais do que um local de divulgação da palavra escrita. A arte, de forma geral anda por aqui de mãos dadas com os signos (fotografia, pintura...), em muitos casos complementando-se mutuamente. Para além da prosa, existe algum interesse seu de que nos queira falar, por exemplo, leituras, passatempos e outros?
 
Na área artística não tenho mais nenhuma actividade, mas interesso-me por várias formas de expressão artística,  com destaque para a música e o cinema.
Curiosamente, agora que deixei de trabalhar, uma actividade que me interessa (para já de forma platónica) é a organização de eventos no campo das artes e das letras.
 
- Se tivesse de eleger um escritor consagrado como aquele que mais o marcou em toda a sua vida, quem escolheria?
 
Dois: Victor Hugo e Eça de Queiroz


publicado por António às 13:42
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11 comentários:
De wind a 15 de Março de 2008 às 13:06
Gostei de ler as tuas respostas e parabéns pelo prémio que é merecido:)
Beijos


De António a 15 de Março de 2008 às 13:42
Obrigadinho, Isabel!

Beijinhos


De leonoreta a 15 de Março de 2008 às 14:55
eta!
fui apanhada de surpresa pelo tema.
tenho a honra de conhecer este site por tua indicação. como aliás ainda outros de igual qualidade.
a entrevista é um pouco longa e não pode ser lida em diagonal.
terei de passar por cá novamente.
de qualquer modo parabéns pelo teu reconhecimento artistico no dito site.
beijinhos


De António a 15 de Março de 2008 às 15:07
Pois é, querida Leonor!
Convém que leias a entrevista na vertical...ah ah ah

Beijinhos


De Paula Raposo a 16 de Março de 2008 às 10:18
PARABÉNS!!!!!!!! Merecido prémio, meu querido! Além do mais adorei a tua entrevista. És mesmo tu a responder...beijinhos


De António a 16 de Março de 2008 às 12:32
Pois sou, Paulinha!
ah ah ah

Beijinhos


De Anónimo a 17 de Março de 2008 às 00:13
TODA A GENTE TE PARABENIZA E NINGUEM , VALORIZA A TUA IMAGINAÇÃO , O TEU TRABALHO . E PRINCIPALMENTE O GOZO COM QUE FAZES TUDO ISTO . MERECES,. TENS . ÉS REI .SÓ FALTA QUEM DE DIREITO ANALIZAR OS TEUS TEXTOS;(IMAGINATIVOS, DE VIVÊNCIAS ACTUAIS , OU NÃO )E PREMEAR-TE PELA TUA CAPACIDADE DE IMAGINAÇÃO. S.FIEL O REI É LINDO.


De goretidias a 17 de Março de 2008 às 10:41
Não foi delicadeza! Foi merecimento!
Um abraço


De António a 17 de Março de 2008 às 13:42
Ok!
Ok!

Beijos


De Vanda a 20 de Março de 2008 às 20:38
Fui demorada a comentar, ... peço dsculpa! Mas conhecendo-te ainda tão pouco, já verifiquei no entanto que a Menção que te foi atribuída é justa.... basta ver como escreves bem, com clareza e imaginação.
Parabéns...
Vou continuar a seguir os teus passos.
Bj
Vanda


De António a 20 de Março de 2008 às 21:23
Pedir desculpa?
Nem penses nisso!
Eu é que tenho de te agradecer por comentares.
Como vês, agora já quasi ninguém aqui escreve seja o que for.
Definitivamente já não estou na moda!

Beijinhos


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