Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças!
Sábado, 31 de Maio de 2008
O azar dos outros e a minha felicidade

Há dias, e já nem sei porquê, dei comigo tristonho a pensar que era muito infeliz e que tinha de dar uma volta de 180º à vida e mais isto e mais aquilo.

Mas apareceu em frente dos meus olhos uma notícia sobre o terramoto que na China parece ter matado dezenas de milhar de pessoas.
E então o meu pensamento redireccionou-se e comecei a meditar nas pessoas que por esse mundo fora morrem (ou são sobreviventes feridos ou que tudo perderam) vítimas de catástrofes naturais como os tremores de terra, os maremotos, as inundações, os ciclones, os tornados, os deslizamentos de terra, as avalanches de neve…
E nas que tem deficiências físicas ou mentais, doenças mortais ou que causam intenso sofrimento…
E nas que são vítimas da violência das guerras, dos atentados terroristas, da tortura, ou que estão prisioneiros em condições mais ou menos degradantes…
E nas que morrem ou perdem os seus mais queridos em acidentes de toda a espécie…
E nas que são violentadas e assassinadas por meliantes ou criminosos anónimos…
E nas que morrem de fome ou de doenças resultantes de viverem sem o mínimo de condições de salubridade…
E nas que…
E nas que…
Após ter ponderado tudo isto decidi que, quando estivesse mais acabrunhado e deprimido e me considerasse o tipo mais infeliz do mundo, procuraria pensar nesses tantos que são realmente sofredores azarados e infelizes e dizer para mim próprio:
- Ó pá! Tu afinal és um felizardo!
E assim vou tentar superar os momentos em que estou mais em baixo procurando ser feliz à custa do mal dos outros.
Será que estou a ser egoísta ou a proteger-me?


publicado por António às 14:46
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12 comentários:
De leonoreta a 31 de Maio de 2008 às 18:51
ola antonio
estás a proteger-te sem duvida.
comparar niveis de felicidade é defender o ego.
por isso e que o heroi da tragedia grega era um rei. nao era a balda. a tragedia servia para educar o povo. se aquele mal acontecia ao rei entao o homem do povo que nao tinha passado pela provaçao do rei era um felizardo.
nao vou por ai.
sou infeliz quando atravesso o tejo numa ondulaçao terrivel embora saiba que no titanic morreram muitos.
e um exemplo
beijinhos


De António a 31 de Maio de 2008 às 22:02
Pois eu vou por aí, minha querida!
Quando não se pode controlar as situações o mal dos outros dá-nos algum conforto...

Beijinhos


De joao sa carneiro a 1 de Junho de 2008 às 00:32
Não será essa a razão da felicidade na infelicidade do dia a dia? Ou por outrém, por maior que seja a infelicidade, procura-se sempre algo mais infeliz e dramático como forma não só de suavizar a situação mas também de força para encarar a mesma...

Por outrém ainda, será o pensamento típico português?

Abraço!
É um prazer viajar por loucuras que roçam o genial.


De António a 1 de Junho de 2008 às 00:55
Meu caro!
O pano dava para fazer mangas para muitas camisas...
Mas não quero ir mais longe em elucubrações que me poriam a deitar fumo pelos ouvidos o que, segundo dizem os médicos mais afamados, não é bom para a saúde nem para o ambiente.
E eu era capaz de ficar muito infeliz e ter que começar a pensar em coisas muito más para me reconfortar, portanto...

Obrigado pelo comentário!

Abraço


De Paula Raposo a 1 de Junho de 2008 às 11:13
Não é egoísmo. É realidade. Devemos agradecer acordarmos todos os dias. Beijos.


De António a 1 de Junho de 2008 às 13:31
Só que eu não tenho a quem agradecer...
Mas vou acordando vivo.
Quando acordar morto é que é mais chato...eh eh

Beijinhos, Paula


De Maria Papoila a 1 de Junho de 2008 às 23:49
Querido António:
Sem egoismo, ouve Mercedes Sosa, Jian Baez ou Violeta Parra nesses momentos... ( aque preferires...)
a cantar...

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio dos luceros que cuando los abro
perfecto distingo lo negro del blanco
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
me ha dado el oido que en todo su ancho
graba noche y dia grillos y canarios
martillos, turbinas, ladridos, chubascos
y la voz tan tierna de mi bien amado.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado el sonido y el abedecedario
con él las palabras que pienso y declaro
madre amigo hermano y luz alumbrando,
la ruta del alma del que estoy amando.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la marcha de mis pies cansados
con ellos anduve ciudades y charcos,
playas y desiertos montañas y llanos
y la casa tuya, tu calle y tu patio.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano,
cuando miro el bueno tan lejos del malo,
cuando miro el fondo de tus ojos claros.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la risa y me ha dado el llanto,
así yo distingo dicha de quebranto
los dos materiales que forman mi canto
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos que es mi propio canto.

Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida.

Beijos


De António a 2 de Junho de 2008 às 00:34
Gracias a la Vida!

Besos


De wind a 3 de Junho de 2008 às 21:13
Estás a ser racional, porque de facto como escreveste há muita gente mal.
Beijos


De António a 3 de Junho de 2008 às 22:11
Obrigado pela visita e pelo comentário, Isabel!
Beijinhos


De ana joana a 8 de Junho de 2008 às 21:29
Meu querido,
Depois de ler a tua mensagem vim aqui para perceber a que se referia. Antes de prosseguir a leitura dos posts seguintes, apeteceu-me responder a este referindo a minha "tecnica" de controlo de momentos potencialmente depressivos. Tenho como maxima para a vida que "pior que uma coisa má, são duas coisas más" (ahahahahah). Por exemplo: quando ia fazer 50 anos pensei, é agora que vou deprimir. Isto é muito ano, e muitas coisas vou perder. Logo apliquei a maxima e pus-me a falar comigo mesma perguntando-me: se deprimires, em vez de 50, passarás a fazer 30? Não!E se deprimires, esses mesmos 50 ganharão qualidade? Não. Bom , então o melhor é planeares uma festança e comemorares da melhor forma possivel para rentabilizares ao maximo aquilo que te é possivel. E assim foi. Ganda festança mesmo! Do melhor. Aplico este principio de forma quase automatica. Não preciso de apelar ao dramatismo externo nem à desgraça dos outros. A minha realidade é mesmo a bitola que melhor se me aplica. Beijinhossss para ti. Agora vou continuar a ler os posts seguintes


De António a 8 de Junho de 2008 às 21:42
Olá. minha querida!
Cada um tem as suas defesas.
Obrigado pelo teu comentário.

Beijinhos


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