Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças!
Quarta-feira, 18 de Junho de 2008
O cronista indeciso

Há dois anos que o cronista escrevia diariamente um pequeno texto para o jornal da cidade interior e pacata onde vivia.

Diariamente não seria a forma mais correcta de dizer pois não publicava aos fins-de-semana nem nos feriados.
De qualquer modo, já tinha uma vasta colecção de pequenos artigos sobre os mais variados temas: música, política, cinema, sociedade, desporto...
Enfim, uma miríade de assuntos.
Há uns tempos que vinha pensando em publicar em livro todo aquele material, mas ocorria-lhe sempre que muitas daqueles textos eram datados e agora a sua leitura já não teria muito interesse. Talvez omitisse alguns dos que tivessem menos valor informativo, formativo ou literário.
Além disso, mantinha-se na dúvida sobre se deveria apresentá-los por ordem cronológica ou tentar juntá-los por temas.
Duma coisa estava certo: num livro não meteria as crónicas de mais de um ano.
Como já tinha pronto o texto para entregar nesse dia, estava no trabalho e pensou em sair um pouco mais cedo para ir falar com o amigo proprietário de uma gráfica e também de uma editora que o havia incitado várias vezes a avançar com a ideia.
E assim fez.
A conversa não foi longa porque já tinham falado bastante sobre o assunto, mas nessa tarde estava com o espírito muito mais voltado para acatar os incentivos do empresário.
Pouco mais de meia hora bastou para sair com as ideias em ordem: publicaria tudo o que escrevera durante o primeiro ano e por ordem cronológica.
Depois faria o mesmo com a produção do segundo ano.
Quando começou a conduzir ocorreu-lhe que sempre ouvira dizer que um homem para se realizar deve fazer um filho, plantar uma árvore e escrever um livro.
Plantado árvores já o havia feito quando jovem na pequena quinta do seu avô. Árvores e muitos outros vegetais.
Livro já estava escrito: bastava organizar as crónicas e publicá-lo.
Filho é que não tinha nenhum. A Maria ficara grávida dele mas resolveram que o melhor seria abortar pois na época eram muito novos e a cidade era pequena demais para tapar o escândalo. Mas teria de pensar nisso. Talvez depois do lançamento das crónicas compiladas.


publicado por António às 22:32
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16 comentários:
De leonoreta a 19 de Junho de 2008 às 21:42
ola antonio
"um homem para se realizar deve fazer um filho, plantar uma árvore e escrever um livro"
palavras do zé fernandes ao seu amigo jacinto em a cidade e as serras, o livro mais lindo do eça.
li-o algumas vezes.
curiosamente nao me identificava com as figuras femininas do livro mas sim com o ze fernandes.
o cronista...........
é engraçado o dominio de varias fases que nos inspiram.
beijinhos


De António a 19 de Junho de 2008 às 22:46
Olá, minha querida!
Essa frase é muitas vezes citada aqui para o norte.
Beijinhos


De Anónimo a 19 de Junho de 2008 às 22:18
Que tal o cronista, ASSUMIR-SE?
Em minha opinião (modesta), era uma sapatada de luva branca. Mesmo dizendo que não comentava, não posso deixar de expressar a minha revolta, AOS SRS. Que se designam, profissionais da /ESCRITA/E PUBLICAM- "HISTÓRIAS DE VIDA DE UM PUTO DE FUTEBOL",ENTRE OUTROS-ENTÃO E OS LUZIADAS?HOJE SERIAM UMA MERDA?"SÓ FALEI NESTE,PORQUE É O «ICON» .E CAMILO? FERNANDO PESSOA, MIGUEL TORGA, BOCAGE?.....................HOJE NÃO TERÍAMOS HISTÓRIA. EU PERGUNTO? SOMOS UM PAÍS DE HISTÓRIA? OU DE EUROS? (DINHEIRO). TENHO DAUDADES DO LIVREIRO QUE ACONSELHA "HISTÓRIAS" dizendo: //LITERATURA//


De António a 20 de Junho de 2008 às 14:48
Obrigado pelo comentário!
Beijinhos


De Paula Raposo a 20 de Junho de 2008 às 10:47
Pois!! Coisas que se dizem e se vão ouvindo ao longo dos tempos e que nem sempre encerram verdade...há outras coisas para se fazerem na vida além de ter filhos, plantar árvores e escrever livros. Digo eu. Beijos. Gostei de te ler, claro...mas isso é tornar-me redundante!!


De António a 20 de Junho de 2008 às 14:50
Pois há, Paulinha!
Mas é assim que o povo diz e eu estava muito popular quando escrevi esta coisita...eh eh

Beijinhos


De Paula Raposo a 20 de Junho de 2008 às 14:52
Adoro quando te dão estes ataques de popularidade!! Eh eh eh


De António a 20 de Junho de 2008 às 15:00
Será popularidade ou populismo?
ihihihih


De wind a 20 de Junho de 2008 às 11:49
Bom texto, mas peca por um final inesperado, esperava mais de ti:)
Beijos


De António a 20 de Junho de 2008 às 14:52
Querida Isabel!
Estes são uns textozinhos só para ir mantendo o blog com vida.
(agora ando mais preocupado em publicar)

Beijinhos


De Brito Ribeiro a 20 de Junho de 2008 às 13:41
É uma das minhas grandes dúvidas. Por que ordem devemos realizar estas boas acções? Primeiro a árvore, depois o filho e por fim o livro? Ou o filho no fim?
Já tentei fazer tudo ao mesmo tempo e não dá. Pelo menos comigo não deu. Se fosse apenas plantar a árvore e fazer o filho, ainda se conseguia, mas escrever ao mesmo tempo é dificil, fica a letra toda tremida!

Abraço


De António a 20 de Junho de 2008 às 14:54
Eu recomendo-te o seguinte:
Primeiro plantas a árvore.
Quando esta já estiver frondosa fazes o filho e quando a mãe estiver a adormecer a criancinha podes ir escrevendo.

Abraço


De Brito Ribeiro a 20 de Junho de 2008 às 23:07
Não há nada como ter os pensamentos arrumados!

Abraço


De António a 20 de Junho de 2008 às 23:58
Os pensamentos e o resto...eh eh


De sophiamar a 21 de Junho de 2008 às 17:57
Pois é, António, cada cabeça, sua sentença. E agora ocorreu-me a história do velho, o rapaz e o burro. Tiveram de se orientar pela sua cabeça pois, certamente, não iriam ter um bom fim se seguissem tudo quanto ouviam. Não quero com isto dizer que não ouças os teus leitores mas a decisão tem de ser tua.
Pois eu gostei da história. E muito da conclusão. É que chamas a atenção para o problema do aborto nos meios pequenos, acto sempre censurável, e para a falta de condições, sobretudo nos casais jovens, para criar um filho nos tempos que correm. A vida não está fácil e colocar uma criança no mundo sem poder assegurar-lhe condições mínimas para o seu crescimento harmonioso, tem, na maior parte dos casos, a solução que indicas. Um texto de opinião, de crítica social dos dias que correm e que, mais uma vez, gostei de ler.
Com a qualidade que acabei de apontar no post anterior. Poderá haver quem goste mais de poesia mas a prosa é sempre muito aliciante quando tem os ingredientes como tu lhe sabes pôr.

Beijinhos


De António a 22 de Junho de 2008 às 00:29
Muito obrigado pelas tuas palavras, minha querida!

Beijinhos


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