Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças!
Sexta-feira, 24 de Julho de 2009
A Luanda que eu conheci (parte I)

Passei o cinzento dia 4 de Fevereiro de 1974 em Lisboa com os meus pais.

Cerca de um ano antes tinha entrado como aluno na Escola Naval onde, durante seis meses, frequentei o 22º Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval (CFORN), classe de marinha, tendo andado também pelos Grupos 1 e 2 de Escolas da Armada. Fiz ainda uma viagem de instrução a bordo de uma fragata, tive férias e fui colocado no patrulha NRP “Maio” (NRP significa Navio da República Portuguesa), estacionado na Base Naval do Alfeite, até receber a guia de marcha para o navio patrulha NRP “Rovuma”, colocado na Base Naval de Luanda.
Os oficiais da Reserva Naval eram os milicianos da Armada, note-se.
Os meus pais fizeram questão de ir à capital despedir-se de mim, o que aconteceu quando embarquei para um avião da TAP, perto da meia-noite, que voou sobre o Atlântico pois os aparelhos de bandeira portuguesa estavam proibidos de sobrevoar terras de África devido à guerra colonial que agora me chamava e ao ostracismo internacional a que, por isso, era votado Portugal.
 
Bem cedo, na manhã seguinte, e depois de ter passado toda a noite sem dormir sequer uns míseros cinco minutos, o avião pousou na pista do aeroporto da capital de Angola.
Quando me aproximei da porta para sair senti uma tremenda baforada de ar quente que me fez ter a certeza que não estava na Europa.
À minha espera estavam dois amigos da Faculdade: o Alberto Sereno, que exercia funções como oficial ajudante de ordens do Comandante Naval de Angola, ao tempo o almirante Henrique Silveira Borges, e a sua mulher, a Isabel. Eram ambos licenciados em Engenharia Química e tinham sido meus colegas de curso. O Sereno estava fardado e todo engalanado pois logo de seguida iria a uma cerimónia acompanhando o seu chefe.
Foi por isso que a Isabel se viu investida das funções de minha motorista e guia.
Como era muito cedo, andamos a percorrer Luanda de carro: embora estivéssemos na estação quente e das chuvas, a manhã estava cinzenta, mas quente e húmida.
Vi várias zonas da cidade do asfalto e do cimento, habitadas essencialmente por brancos e mestiços. Percorri importantes vias como as avenidas dos Combatentes da Grande Guerra, dos Restauradores de Angola e a bonita marginal (avenida Paulo Dias de Novais) que limitava a lindíssima baía de Luanda a leste, percorri toda a estrada da ilha do Cabo, fui ao largo da Mutamba e ao de Diogo Cão, junto da zona portuária no extremo norte da marginal, passei pela igreja da Sagrada Família e pelo estádio dos Coqueiros.
Mas também vi vários musseques, manchas de pobreza no interior ou na periferia da progressiva cidade que era Luanda naquela época, e habitados essencialmente por negros. O da Ilha, o Marçal, o Prenda, o Sambizanga, o Bairro Operário e outros nomes que me fui habituando a ouvir enquanto por lá estive. Os musseques eram um amontoado de pequenas habitações feitas de lata, madeira e barro, tendo tectos de Lusalite (fibrocimento), zinco, latão ou folhas de palmeira, com estreitas ruas de terra batida, sem água canalizada nem saneamento básico.
Confesso que fiquei com uma péssima impressão da cidade, mas não demorou muito tempo que começasse a encantar-me com aquele mundo, tão diferente daquele de onde eu vinha.
Na altura, Luanda tinha 600.000 habitantes e era a segunda cidade de Portugal depois de Lisboa. Em 2008 tinha cerca de 2.500.000.
 
Quando começou a aproximar-se a hora de me apresentar no navio do qual iria ser o 3º oficial, dirigimo-nos para a Messe dos Oficiais que ficava na longa a estreita ilha do Cabo que delimitava a baía de Luanda a sul. Essa magnífica zona de hospedagem ficava anexa à Base Naval de Luanda com os seus navios patrulha, lanchas de fiscalização grandes e lanchas de desembarque grandes e da zona de manutenção e reparação desses vasos de guerra que fiscalizavam a costa e faziam transporte para outros pontos de Angola, inclusivamente para Santo António do Zaire, já nas margens desse enorme e caudaloso rio que servia de fronteira norte da colónia (ou, como então se chamava, província ultramarina). A Messe dos Sargentos também ficava ali pertinho, bem como uma pequena zona desportiva.
Depois de arrumar os meus pertences na única camarata (tudo o mais eram quartos) da Messe, a qual dispunha de quatro beliches duplos e vários armários e onde me mantive até ao fim da comissão de serviço, dirigi-me ao Rovuma. O oficial imediato, Fernando Ribeiro e Castro, um jovem guarda-marinha de carreira que era filho do Governador-Geral da colónia, Eng.º Santos e Castro, tinha ido a Cabinda pelo que fui conduzido à câmara onde estava o comandante, capitão-tenente José Manuel da Silva Dias, por um sargento. Cumpridas as formalidades da praxe e antes de me mandar embora para descansar da viagem e voltar depois de almoço, ouviu-se um burburinho. O Silva Dias levantou-se, foi para bombordo e eu segui-o. Atendendo à indicação de um marinheiro olhamos para a água: a uns dois metros do casco do navio estava a boiar de borco o cadáver nu de um menino negro que, ao que disseram, tinha desaparecido no dia anterior.
- Isto começa mal! – disse para comigo.
Como o “meu” patrulha estava atracado para fazer algumas reparações que duraram umas semanas, fui tendo oportunidade de conhecer os membros da guarnição e, na Messe, muitos dos oficiais que lá estavam instalados ou, simplesmente, lá tomavam as refeições, aliás muito boas. E um comprimido contra o paludismo não faltava.
 
Como não tinha carro, durante esse primeiros tempos, não saí muito. Só quando tinha boleia ou, algumas vezes, usando o machimbombo, que não era senão o nome que davam ao autocarro e que me levava ao largo da Mutamba, no coração da cidade. Poucos eram os brancos que o utilizavam, pelo que, quer pelo calor, quer pela falta de higiene, quer pela natureza do suor dos viajantes negros, o chamado cheiro a catinga era muito intenso. Mas eu até gostava! Assim sentia-me mais em África. Outras vezes ia para a praia: ou para uma que ficava junto da Base, do outro lado da estrada e na parte exterior da baía ou, quando tinha boleia, para a Barracuda, que era a mais frequentada, ficava quasi no extremo da ilha do Cabo e era complementada por um frequentado bar. Também íamos, por vezes, comer um gelado à Versalhes ou à Pólo Norte, na avenida Salvador Correia.
Outro destino era a encantadora ilha do Mussulo que ficava um pouco a sul de Luanda e era local obrigatório para muita gente visitar nos fins-de-semana, tendo eu passado parte da tarde de um domingo com o Silva Dias a percorrer o mar circundante dentro de uma pequena lancha motorizada por mero prazer lúdico.
A zona do Cacuaco onde ficava a refinaria de petróleo, e que limitava a baía a norte, também era visitada, mais raramente.
E a localidade de Viana, mais para o interior, também.
Por vezes ficava a ler, a dormir ou a jogar ténis.
À noite, umas vezes íamos dançar (ou ver dançar) o merengue nos rebita, dança e bailes nas zonas dos bairros negros.
Outras vezes íamos ao cinema: lembro-me de ter visto o Jesus Christ Superstar no Miramar, um cinema ao ar livre mas com uma cobertura por causa das chuvadas tropicais, que ficava numa zona alta e rica. Mas havia também o Colonial, o Tropical, o Aviz, o Restauração e outros.
Em diversas ocasiões íamos beber um copo ou ver um espectáculo a casas nocturnas como a Gruta, ou o Tamar na restinga, mesmo à entrada da ilha, à esquerda. À direita ficava o fino Iate Clube. No interior da cidade havia, por exemplo, o Maxime ou o Copacabana.
A ilha do Cabo era separada da parte continental por uma estreita faixa de água atravessada por uma ponte. Imediatamente antes da ponte e do lado da cidade, à esquerda, erguia-se a antiga Fortaleza de S. Miguel.
Mas, o que se repetia noite após noite eram as cavaqueiras, com um copo de whisky com gelo na mesa e a apanhar um ar mais fresco junto da vasta sala do bar da Messe.
Dentro desta havia um certo distanciamento entre os oficiais do quadro e os milicianos. Era com estes que eu mais convivia e quero destacar o Max (António Rodrigues Maximiano), jurista do Comando Naval, divorciado e que estava lá sozinho, como a maioria, aliás. Um tipo brilhante e de uma vivacidade impressionante era, de certa forma, o líder. Infelizmente faleceu em 2008 somente com 61anos de idade. Mas havia o Alberto Sereno e a Isabel, o Luis Cunha e Melo e a Beatriz, o Barreiros Antunes, o João Távora, o Neves Gomes, o Luis Vieira Ferreira, o Emílio da Mata Pereira (que viria a casar com uma filha do Comandante Olgário Borges, chefe da Base Naval), o Manuel José Lima sempre com a mãe viúva, o Craveiro Duarte e a mulher, o Galhardas Vermelho, o Costa e Silva e a Carolina, o Siragusa Leal, médico, o Rui Ferreira Marques que estava numa fragata, o Nogueira Soares, o Zulmiro Barbosa, o José António Sarsfield Cabral, o Henrique Gomes e a mulher algarvia, o Pescaria Costa, o Vilela Bouça e outros mais. A esmagadora maioria estavam em navios. Obviamente que nem todos estiveram lá ao mesmo tempo. Uns acabavam o seu tempo e regressavam a Portugal indo outros substituí-los. Alguns dos referidos eram os comandantes de lanchas de fiscalização pequenas, em Cabinda ou em Santo António do Zaire, que lá iam para trabalhos de manutenção e reparação das suas unidades navais. Mas também havias os engenheiros da reparação naval e os camaradas da administração, bem como alguns oficiais fuzileiros (como o referido Lima).
Entre todos, lembro-me de um 1º tenente bastante mais velho do que os outros pois, sendo do quadro, não fora aluno da Escola Naval mas começara como grumete. Era dos chamados oficiais do serviço geral. Acho que tinha o nome de Santos. Pois uma vez ele foi dormir três ou quatro noites para a camarata. Mas o homem ressonava de tal modo alto e de forma continuada que eu mal consegui dormir durante essas noites. Vingava-me ao fim da tarde. Que felicidade quando ele voltou para o seu quarto…               


publicado por António às 22:18
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20 comentários:
De wind a 25 de Julho de 2009 às 12:09
Gostei desta primeira parte.
És sempre óptimo nas tuas descrições:)
Beijos


De António a 25 de Julho de 2009 às 12:26
Olá, querida Isabel!
Obrigado pelo comentário.
Foi um texto difícil de escrever porque nem havia uma história para contar nem conseguia escrever segundo uma sequência cronológica.
A parte III será a menos chata, presumo!

Beijinhos


De leonoreta a 25 de Julho de 2009 às 20:09
ola antonio
a baforada de ar quente é comum a todos aqueles que saem de um aviao num pais tropical. senti -a quando uma vez fui a moçambique.
e depois ouvi de toda a gente que a experimentou.

gostas da catinga?
ai meu deus! que fraco gosto desculpa lá.

bom. fizeste um relato que tem muito de vivencias pessoalissimas. normal. afinal estás a recordar velhos tempos.

beijinhos


De António a 25 de Julho de 2009 às 21:16
Olá, querida Leonor!

Obrigado pelo teu comentário.
Este texto (as três partes) foi escrito a pensar que um dia será publicado num livro de memórias e não que p seria para num blog.
Daí ter alguns elementos de pouco interesse geral (como os nomes dos oficiais da Reserva Naval) mas importantes como memória.
Isso torna o texto mais aborrecido de ler.
Mas tive de fazer a opção.

Beijinhos


De primavera a 25 de Julho de 2009 às 23:04
Recordações da tua vida militar.
Para além da nostalgia... Não foi má!

Não gosto do cheiro a catinga
eh eh eh
Habituaste-te. Não acredito que gostes!
Beijinhos


De António a 26 de Julho de 2009 às 08:49
Olá, minha querida!
Obrigado pelo comentário.
Desde sempre gostei de cheiros activos.
Foi das coisas que me levou para Engenharia Química...eh eh

Beijinhos


De Paula Raposo a 26 de Julho de 2009 às 12:27
Muito interessante este teu 1º relato. Beijos.


De António a 26 de Julho de 2009 às 12:30
Olá, querida Paulinha!
Obrigado pelo comentário.
Relato interessante e chato...ah ah ah

Beijinhos


De Gisela a 26 de Julho de 2009 às 22:35
Gosto de ler as tuas histórias

Já xonavas em Luanda!!! :D

Beijinhos



De António a 26 de Julho de 2009 às 22:41
Olá, querida Gisela!
Obrigado pelo comentário.
Pois xonava, às vezes.
Deve ser congénito...ah ah ah

Beijinhos


De Gabriel Costa a 28 de Julho de 2009 às 20:39
Foi um prazer ler esta descrição sobre Lunada. Eu próprio senti o cheiro a terra molhada. Gostei e voltarei.
Um dia destes, já de Julho, jantei com um alto quadro do governo angolano que me informou sobre a população de Luanda, província. Sei que parece um exagero, mas, o nº indicado foi de 6.000.000. Na verdade, olhando agora para aquela extensão imensa de casotas, fugindo á vista para o Cacuaco, Viana ou Mossulo, não me admira o n.º.
Voltarei.
Um abraço
Gabriel Costa


De António a 28 de Julho de 2009 às 21:21
Obrigado pela visita e comentário.
Nunca mais voltei a Luanda nem tenho tido contactos com pessoas de lá ou que lá estiveram tempo suficiente para a conhecerem com algum detalhe, tal como a cidade é actualmente.
Recolhi os dados populacionais na Wikipédia, salvo erro.
Mas uma população de 6.000.000 para a província não me surpreende muito.
Ao fim e ao cabo, muitíssima gente fugiu para essa zona durante a guerra civll e por lá deve continuar até que haja condições de trabalho para iram viver noutras províncias.

Abraço


De Gabriel Costa a 29 de Julho de 2009 às 23:37
Caro António:
De facto se pensarmos que Angola tem apenas 11.500.000 de habitantes, verificamos que há população em excesso na Prv. de Luanda. O problemas é que as dificuldades são muitas e não há meios para apoiar esta gente. O esforço que o Gov. Angolano está a fazer, é, apesar de tudo, meritório. Há estradas, hospitais, escolas, portos, centros de saúde e outras infraestruturas básicas em construção por todo o país. Também que lucre, e muito, com tudo isto, mas, pelo menos, é um país em construção. Abraço


De António a 29 de Julho de 2009 às 23:52
Olá!
Como sempre foi minha convicção, Angola vai ser um grande país e será cada vez mais o destino dos portugueses.

Abraço


De Elisabete Fragoso a 20 de Agosto de 2009 às 17:13
Não conheci ou conheço terras de Africa "in loco".
Mas adoro descrições como a tua sensitivas!
Cheiros,a terra,mar,odores que muita gente detesta, mas que faz toda a diferença,para quem gosta dessas coisas!
espero ler mais alguma coisa,ainda sobre a cor, a que li do menino negro e nú na água, fez-me pensar que ainda vou gostar mais das outras partes!
Ah..e tu lá ias para as noitadas, das meninas e não para a zona chique....espero descrições mais sensoriais!!!!
Continua... não me deixes em "suspense"!
Abreijos


De António a 20 de Agosto de 2009 às 17:54
Olá, Lissie!

Obrigado pela visita e pelo comentário.

Beijinhos


De Jorge C. a 27 de Outubro de 2009 às 23:10
Senhor António começo por lhe dar os parabêns pelo axcelente texto que nos oferece. Eu sou miltar da Marinha e é com grande gosto que oiço estas antigas rábulas, tal como o senhor, o "meu" primeiro navio também foi o saudoso N.R.P Rovuma, motivo pelo qual lhe gostaria de pedir caso tenha fotos do Rovuma por terras africanas. Os melhores cumprimentos Jorge C.


De António a 28 de Outubro de 2009 às 09:46
Obrigado pelo comentário, Jorge!
Devo dizer que não tenho nenhuma foto do Rovuma tirada em terras de África.
Penso que tenho uma tirada em Leixões e que me foi enviada por um marinheiro do meu tempo.
Se estiveres interessado, eu procuro-a.
Manda sempre!
Abraço


De maria isabel canelas a 1 de Novembro de 2009 às 20:30
Interessante comentário-indo da descrição das ruas,casas,pessoas,cheiros,ruidos impeditivos de dormir-estar nesta ou naquela praia-uma com bar(destaque-se),cinema ao ar livre,dança naturalmente em zona não formal,assim se conhece uma terra,um povo contactando e conhecendo de tudo o que for acontecendo,nunc esquecendo pastilha contra o paludismo(e,ter sobretudo memória para poder mais tarde partilhar)


De António a 1 de Novembro de 2009 às 21:37
Obrigado por mais um comentário, Isabel!

Beijinhos


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