Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças!
Terça-feira, 24 de Abril de 2007
Histórias curtas XIX - O tímido (parte II)
Poucas semanas depois do fracasso da ida às meninas, o Reinaldo Aguiar recebeu um convite de um jovem colega de trabalho.
- Oh pá! Não queres ir comigo e com duas gajas curtir um bocado a noite de sábado, pá? – disse o Júlio Marques.
O Aguiar não respondeu logo, pelo que o outro continuou:
- É assim, pá! Eu convidei para sair uma boazona porque quero ver se a papo. Mas a fulana só sai se levar uma amiga que até é bem jeitosa. Portanto, não só me fazias o favor de entreter a outra gaja como ainda podes acabar por a comer ou pô-la a fazer-te um bobó ou outra coisa qualquer, pá.
Desta vez o Reinaldo falou:
- Posso responder-te amanhã?
- Podes, pá! Amanhã de manhã, ok pá? Porque se não quiseres aproveitar esta oportunidade tenho de falar a outro tipo. Elas tem ambas vinte e poucos anos como nós, pá. Mas tens de empalear um bocado, senão ela fica junto da minha e estraga-me o programa, pá.
- Está bem! Eu amanhã digo-te se vou ou não – comprometeu-se o rapaz.
Durante o resto do dia e à noite, o Reinaldo foi matutando:
- É uma boa oportunidade. Se der deu, se não der, não deu. Espero que não me saia uma que ponha a placa de fora ou faça coisas que me provoquem novo fracasso. Parece que é nova e jeitosa. Com uns copos eu posso ficar mais desinibido e dizer umas piadas que lhe agradem. E se ela simpatizar comigo, pode ser que se torne mais atiradiça, colabore, e eu desta vez consiga.
Na manhã seguinte, mal encontrou o colega no escritório, disse-lhe:
- Já te posso confirmar, Júlio! Estou disponível para sair contigo e com as moças no sábado à noite.
- Óptimo, pá! A minha parceira chama-se Sónia e a tua é Teresa, mas é conhecida por Té. Não te vais arrepender, tenho quasi a certeza, pá.
- Não te esqueças que eu não tenho carro – lembrou o tímido.
- Não há problema, pá! Eu vou-te buscar e depois vamos a casa da Sónia. Ela tem carro mas vai comigo, pá. A Té parece que não tem mas está em casa da Sónia. Parece que mora perto, pá. Assim vamos os quatro, pá.
 
No sábado seguinte, por volta das dez da noite, o Reinaldo despediu-se dos pais, entrou para o carro do colega e arrancaram para casa da Sónia.
Pouco depois duas jovens, vestidas descontraídamente com jeans, camisa e blusão também de ganga, entraram para o banco traseiro da viatura.
O Júlio, que se apeara para as ir chamar, sentou-se de seguida ao volante e disse:
- Este é o Reinaldo que trabalha lá na minha empresa, pá.
- Olá! – disseram as moças em uníssono.
- Olá! – respondeu o inibido mancebo.
- Eu sou a Sónia! – informou a mais alta e elegante.
- E eu a Té! – apresentou-se a outra, menos elegante mas com uma cara mais bonita.
- Muito prazer! – falou o rapaz, torcendo-se no assento para olhar para ambas.
Eram morenas e de olhos escuros, pelo menos foi o que lhe pareceu.
- Eu proponho irmos beber um copo a um barzinho muito jeitoso e sossegado e depois podemos ir até minha casa, pá. Estaremos à vontade porque os meus velhos foram passar o fim-de-semana fora e levaram a minha irmã. De acordo, pá?
- Por mim estou nessa! – anuiu a Sónia.
- Eu também alinho, pá! – respondeu a outra dando uma risada.
- E tu, Reinaldo? – continuou a Teresa.
- Por mim está fixe!
Pouco depois estavam os quatro sentados numa mesa de um pequeno mas acolhedor bar a falar sobre vários temos.
Depois de café tomado por todos, eles beberam whisky e elas optaram por um licor. Fumaram uns cigarros e, a certa altura, disse o Júlio Marques.
- Vamos agora até minha casa ouvir umas músicas baris que saquei da Net, pá?
- Bora lá, malta! – comandou a Sónia.
E lá seguiram de novo no carro rumo ao apartamento dos pais do condutor.
- Espero que a polícia não me faça soprar no balão, senão estou tramado, pá. É por isso que prefiro estar em casa onde bebo mais à vontade – disse o dono do veículo que conduzia com alguma velocidade mas com segurança, também.
- Não te esqueças que depois tens de nos levar para casa – lembrou a moça mais alta.
- Tudo bem, pá! Eu não abuso. Prometo, pá!
Chegados ao apartamento, sentaram-se todos na sala e a música começou a soar de forma a não incomodar a vizinhança.
- Vocês podem beber à vontade porque não vão conduzir, pá – sugeriu o Júlio.
E os outros não se fizeram rogados: foram bebendo, ora disto ora daquilo...
O anfitrião, atento, disse então para a Sónia:
- Anda ao meu quarto que te quero mostrar uma coisa, pá.
A rapariga, já um pouco tocada e bem disposta, disse logo:
- Vamos lá! E eles não vem?
- Oh Sónia! Eles vem já! Deixa-os curtir um bocado, pá!
- Ok! – concordou a jovem.
- Oh Té! – continuou ela virando-se para a amiga – Vê lá! Não abuses do álcool senão depois ficas mal disposta.
E o parzinho foi para os aposentos do rapaz.
O Reinaldo continuou a beber com a moça. A certa altura, já com uma boa dose de bebidas brancas que o deixaram a falar com a voz entaramelada, de olhos piscos e muito menos tímido, achou que seria a altura de beijar a Teresa. Esta, já estendida sobre o sofá, de olhos fechados, só disse:
- Não me chateies! Quero dormir!
E o Reinaldo pressentiu que ainda não seria daquela que iria perder a virgindade.
Não tardou que também ele estivesse estirado no chão dormindo sossegadamente.
Quando, passados cerca de dez ou quinze minutos, a Sónia saiu do quarto em direcção à casa de banho, nem reparou nos parceiros de noitada. Foi só levantar a tampa da sanita e vomitar com fartura.
O Júlio seguiu-a, observou os dois que dormiam santamente, e desabafou:
- Está tudo bêbedo! Que merda de noite, pá!
Já eram quatro da manhã quando o organizador da farra iniciou a viagem de devolução dos seus convidados aos locais de partida.
A Té ainda vomitou no carro, para cúmulo da irritação do proprietário.
 
Na manhã de segunda-feira, quando se encontraram no trabalho os dois rapazes, disse o Reinaldo:
- A night esteve bem escura, no sábado.
- Não digas nada, pá! Nem um beijo! Começou logo a dizer que estava mal disposta – queixou-se o Júlio.
- Fica para a próxima – falou o pacato moço.
- Para a próxima não as podemos deixar beber tanto, pá. Eu já tinha obrigação de saber que isto podia acontecer, mas como a Sónia se andava a fazer cara, tanto mais que disse que só ía se levasse a outra, pensei que um bocado de álcool ajudasse, pá.
- E ajudava! Mas não foi um bocado; foi um bocadão.
 
E assim o Reinaldo Aguiar viu gorada mais uma oportunidade de se fazer homem.


publicado por António às 00:02
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62 comentários:
De Paula Raposo a 24 de Abril de 2007 às 13:05
Estou curiosa em saber as voltas que vais dar ao Reinaldo tímido e azarado...eh eh beijos.


De António a 24 de Abril de 2007 às 14:09
Olá, Paula!
Obrigado pelo comentário.
És muito curiosa...ah ah ah

Beijinhos


De Morgaine a 24 de Abril de 2007 às 18:05
ESTÁS NOS DESTAQUES DO SAPO!!! ESTÁS NOS DESTAQUES DO SAPOOOOO!! ÉS O MAIOR!!!
PARABÉNS wweeeee
dois prémios numa semana sortudoo vê lá se não rebentas e ficas a bater os dentes!! AI TENHO DE IR FAZER AS MALAS!! bjssssssssssss


De António a 25 de Abril de 2007 às 10:43
Olá, M.!
Não sei se estar nos destaques do Sapo tem assim tanto valor.
Mas...é melhor estar do que não estar.
ah ah ah

Beijinhos


De António a 25 de Abril de 2007 às 10:44
E obrigado, evidentemente!
Pela visita e pelos parabéns!


De Morgaine a 24 de Abril de 2007 às 18:11
oh pá! com o entusiasmo só agora vi que estava na segunda parte pá. disseste que era só lá para o fim de semana pá. Gostei pá! mas coitado do man pá! nem desta tiveste pena dele pá!! creduuu como se diz, sem ofendas mas assim és um empata-f.. pá!!

Dahhhhhhhhh


De António a 25 de Abril de 2007 às 10:51
Minha querida!
É preciso fazer render o peixe e aproveitar ideias que vão surgindo.
Obrigado pelo teu comentário.
De facto, repentinamente deu-me uma grande vontade de limar o texto e colocá-lo on-line e assim não cumpri a minha palavra.
Sou um aldrabão!
ah ah ah

Beijinhos


De Morgaine a 24 de Abril de 2007 às 18:13
mas ainda tem uma terceira parte???


De António a 25 de Abril de 2007 às 10:46
Tem uma 3ª parte, sim senhora.
Mas ainda nem a escrevi.
No fim-de-semana.

Beijinhos


De Caiê a 25 de Abril de 2007 às 02:54
Infeliz. Esta era jeitosa e simpática, mas que grande "vela" tomou a rapariga! Pode ser que saiam juntos outra vez, hã? Palpita-me que não lhe vais fazer a vida fácil...


De António a 25 de Abril de 2007 às 10:59
É só mais uma frustraçãozita...eh eh


De leonoreta a 25 de Abril de 2007 às 11:29
ola antonio.
vê lá tu que ele ainda foi pensar na proposta do amigo. Louvado seja Deus. As voltas que ele deu ao assunto......... aos vinte não se usa placa e tal......

quando se tem imaginação... tem-se! e tu tem-la. Sem dúvida. Muito bem construído o diálogo. Mas disso eu também já tenho experiência pela leitura que tenho feito dos teus contos.

abraço da leonoreta


De António a 25 de Abril de 2007 às 11:53
Olá, Leonor!
Obrigado pelo teu comentário.
- Ó pá! Vai aparecendo!
ihihihih

Beijinhos


De Anónimo a 25 de Abril de 2007 às 13:47
Oba !
Estar nos destaques do sapo é o contrário de não estar nos destaques do do sapo!


De António a 25 de Abril de 2007 às 14:56
Então, M. de la Palisse!
Porque apareces como anónimo?


De Morgaine a 25 de Abril de 2007 às 17:50
o anónimo na sou deu embora ele tenha razão. Então não tem valor estar nos destaques pá?? significa que te andaram a recomendar pá. Não percebes nada pá!


De António a 25 de Abril de 2007 às 18:39
Ó M.!
Sabes que de Sapada percebo pouco!
Mas uma coisa é certa: em 2 ou 3 dias passei de 6 mil e tal visitantes para nove mil.
E não vejo outra explicação.
Espectacular!
(mas a maior parte deve entrar e sair sem ler nada ao ver textos longos)


De Morgaine a 25 de Abril de 2007 às 20:50
não te ponhas a adivinhar o que os outros fazem.Há pessoas que só estão nos blogs para passar o tempo, lendo as histórias nãotendo necessariamente de comentar. Não acredito que os teus posts não sejam lidos. Deves estar maluco.. quem é que resiste a isto? é melhor do que comprar a revista Maria, ou a sabrina, ou a bianca ahahaha


De António a 25 de Abril de 2007 às 21:23
Não me lixes!
Com perto de 1.000 visitantes por dias achas que a maioria lê isto?
Claro que não!
Mas gosto do teu empenho em que eu tenha sucesso.

Beijinhos


De Morgaine a 25 de Abril de 2007 às 22:50
eu não sou de lixar.. sou mais de esfregadelas hehe.. isto para ver se tens ideias para o homemzinho conseguir a proeza no próximo capitulo.Não lixes tu tudo, pá! já ando a abusar aqui, olha manda-me embora que eu não levo a mal hehehe (mas tu és irresistivel, que queres que faça...)
Bjs que amanhã é dia de bulir.


De António a 25 de Abril de 2007 às 22:59
OUT!!!!
ihihihihih

I love you


De Morgaine a 25 de Abril de 2007 às 23:04
hei lah! eu oubi isso! Olha aí o pipol e depois a tua madame dá me vassourada! vai te deitar ó pá!!

Gudi, gudi..

mas onde pára a nena hoje? a ressacar o 25 de certeza...

Outtt ouutttt!!!


De António a 25 de Abril de 2007 às 23:14
Pronto! Pronto! Pronto!
Eu escrevo:

I like you

(kisses and hugs)


De Maria Papoila a 25 de Abril de 2007 às 14:11
António:
Parabéns pelo destaque! O "teu" timido não leva jeito... Jeito é o teu para continuar a manter o suspense... o pobre do rapaz fica assim ou vai haver parte III?
Hilariante este conto. Continua!
Um bom Feriado neste dia 25 de Abril
Beijo de papoila


De CRIANCICES a 25 de Abril de 2007 às 16:02
Bom António, mais uma continuação hilariante do rapaz tímido, que ainda vai a ficar a chuchar no dedo, pelos vistos!hehehe...desdes a molinha partida às vomitadelas...bom tenho que confassar que há de tudo hehehe, mesmo de rir até não poder mais1


De Anónimo a 25 de Abril de 2007 às 18:13
Ainda não foi desta, pá! Bora lá outro episódio para o rapaz ter mais sorte... Estas mulheres ou hão-de ser barrigudas, ter mamas caídas, ter placa postiça ... ou serem bêbadas! Carago!!!!!
Um beijo


De António a 25 de Abril de 2007 às 18:34
És o mesmo anónimo de cima?
É que assim, com anonimatos, a coisa fica confusa e sem piada.


De António a 25 de Abril de 2007 às 21:25
Afinal és a Goreti!
ihihihih


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