Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças!
Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008
O adeus a um amigo

O homem estava vestido de escuro e permanecia de pé, com a cabeça baixa, o olhar húmido fixo num ponto do chão.

E pensava, embora também o dissesse num sussurro de oração inaudível mesmo para quem estivesse por perto:

- Meu velho amigo! Como eu sinto a tua perda depois de tantos anos em que foste o meu melhor companheiro; como eu fui o teu, sabias isso. Quantas confidências e desabafos eu te fiz, e tu sempre atento a escutar-me. Algumas vezes fui ríspido contigo. Duro talvez. Mas, passado o momento da irritação, pedia desculpas que tu aceitavas sem me censurares nem me guardares qualquer espécie de rancor. Quantos passeios maravilhosos demos juntos, a pé ou de carro, idas à praia ou ao campo, na cidade ou nos montes, com sol, com chuva, com vento… Agora que te foste e deixaste um vazio dentro de mim, a dor que sinto no coração vai certamente atenuar-se, mas poderá mesmo desaparecer? Acho que não! A nossa amizade era tão forte que será inolvidável. Sabes que não creio na vida para lá da morte. Lamento-o, porque gostaria de, um dia, te voltar a encontrar numa outra dimensão. Agora vou deixar-te aqui, sozinho, mas prometo voltar muitas vezes para sempre contigo desabafar e sentir que continuas, embora de outra forma, presente e pronto a dar-me o teu apoio. Até sempre, meu amigo tão querido.

Afastou-se, devagar, cabisbaixo e murmurou:
- Tenho a certeza de que nunca houve no mundo um cão como tu, Tejo amigo.


publicado por António às 12:32
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De Zica Caldeira Cabral a 4 de Setembro de 2008 às 19:20
Antoninho, parabéns pelo livro. Tens que me contar isso com pormenores porque a ultima vez que falámos ainda não estava nada decidido pel contrário. Depois quero comprar um livro teu e quero que lhe ponhas um autografo. Mandar-to-ei e mandas-mo de volta
Ah isso é obrigatorio , não te vais escapar.
Fico mesmo contente por ti.
Um beijão enorme e muito amigo
Zica


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